Metabolismo do Jejum Prolongado: Adaptações e Corpos Cetônicos

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 45 anos, sem comorbidades, submetido a laparotomia exploradora por conta de trauma abdominal fechado em um acidente automobilístico, sendo necessário realização de colectomia esquerda, com colostomia a Hartmann. Devido a gravidade do quadro, o cirurgião manteve jejum no pósoperatório. Quanto a evolução metabólica deste paciente, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) o jejum pode permanecer por até sete (7) dias sem risco de hipoglicemia, considerando que as reservas de glicogênio hepático são suficientes para este período.
  2. B) a glicogenólise utiliza os aminoácidos derivados da proteólise do músculo esquelético, o glicerol derivado da degradação de triglicerídeos e o lactato produzido a partir de glicólise anaeróbica.
  3. C) com o jejum prolongado, a β-oxidação hepática de ácidos graxos produz corpos cetônicos, acetoacetato e 3-hidroxibutirato, usados pelo músculo cardíaco, esquelético e córtex renal.
  4. D) o elevado catabolismo proteico causado pelo jejum e a liberação de aminoácidos para a glicogenólise levam ao excesso de produção de nitrogênio e da excreção de ureia pelos rins.
  5. E) após a cirurgia, as citocinas pró- inflamatórias estimulam a secreção de cortisol e catecolaminas, e inibem a produção de glucagon, para manter o nível de glicose sanguínea adequado.

Pérola Clínica

Jejum prolongado → ↑ β-oxidação hepática de ácidos graxos → produção de corpos cetônicos (acetoacetato, 3-hidroxibutirato) como fonte energética alternativa.

Resumo-Chave

No jejum prolongado, o corpo muda sua principal fonte de energia de glicose para gorduras. O fígado intensifica a β-oxidação de ácidos graxos, produzindo corpos cetônicos que são utilizados por tecidos como músculo cardíaco, esquelético e córtex renal para poupar glicose para o cérebro.

Contexto Educacional

O metabolismo do jejum prolongado é um processo adaptativo complexo que visa manter a homeostase energética e glicêmica do organismo na ausência de ingestão alimentar. Após o esgotamento das reservas de glicogênio hepático (que duram cerca de 12-24 horas), o corpo passa a depender de outras fontes de energia. Nesse estágio, a lipólise no tecido adiposo libera ácidos graxos e glicerol. Os ácidos graxos são transportados para o fígado, onde sofrem β-oxidação para produzir acetil-CoA. Em vez de entrar no ciclo de Krebs para produção de ATP, o acetil-CoA é desviado para a síntese de corpos cetônicos (acetoacetato e 3-hidroxibutirato). Estes corpos cetônicos são liberados na corrente sanguínea e utilizados como combustível por diversos tecidos, como o músculo cardíaco, esquelético e o córtex renal, e, com o tempo, também pelo cérebro, que se adapta a utilizá-los para poupar glicose. Simultaneamente, a gliconeogênese hepática e renal se intensifica para manter os níveis mínimos de glicose necessários para células que dependem exclusivamente dela (como eritrócitos). Os principais precursores para a gliconeogênese são aminoácidos derivados da proteólise muscular, glicerol da lipólise e lactato. A compreensão dessas adaptações é crucial para o manejo de pacientes em jejum prolongado, como no pós-operatório.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais fontes de energia durante o jejum prolongado?

Durante o jejum prolongado, as principais fontes de energia são os ácidos graxos liberados do tecido adiposo e os corpos cetônicos (acetoacetato e 3-hidroxibutirato) produzidos no fígado a partir da β-oxidação de ácidos graxos.

Qual o papel dos corpos cetônicos no jejum prolongado?

Os corpos cetônicos servem como uma fonte de energia alternativa para muitos tecidos, incluindo músculo cardíaco, esquelético e córtex renal, e, após alguns dias, também para o cérebro, poupando a glicose para células que dependem exclusivamente dela.

Como o corpo mantém os níveis de glicose durante o jejum prolongado?

A glicose é mantida principalmente pela gliconeogênese hepática e renal, utilizando precursores como aminoácidos (da proteólise muscular), glicerol (da lipólise) e lactato. A utilização de corpos cetônicos por outros tecidos ajuda a poupar glicose.

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