UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Paciente de 45 anos, sem comorbidades, submetido a laparotomia exploradora por conta de trauma abdominal fechado em um acidente automobilístico, sendo necessário realização de colectomia esquerda, com colostomia a Hartmann. Devido a gravidade do quadro, o cirurgião manteve jejum no pósoperatório. Quanto a evolução metabólica deste paciente, é correto afirmar que:
Jejum prolongado → ↑ β-oxidação hepática de ácidos graxos → produção de corpos cetônicos (acetoacetato, 3-hidroxibutirato) como fonte energética alternativa.
No jejum prolongado, o corpo muda sua principal fonte de energia de glicose para gorduras. O fígado intensifica a β-oxidação de ácidos graxos, produzindo corpos cetônicos que são utilizados por tecidos como músculo cardíaco, esquelético e córtex renal para poupar glicose para o cérebro.
O metabolismo do jejum prolongado é um processo adaptativo complexo que visa manter a homeostase energética e glicêmica do organismo na ausência de ingestão alimentar. Após o esgotamento das reservas de glicogênio hepático (que duram cerca de 12-24 horas), o corpo passa a depender de outras fontes de energia. Nesse estágio, a lipólise no tecido adiposo libera ácidos graxos e glicerol. Os ácidos graxos são transportados para o fígado, onde sofrem β-oxidação para produzir acetil-CoA. Em vez de entrar no ciclo de Krebs para produção de ATP, o acetil-CoA é desviado para a síntese de corpos cetônicos (acetoacetato e 3-hidroxibutirato). Estes corpos cetônicos são liberados na corrente sanguínea e utilizados como combustível por diversos tecidos, como o músculo cardíaco, esquelético e o córtex renal, e, com o tempo, também pelo cérebro, que se adapta a utilizá-los para poupar glicose. Simultaneamente, a gliconeogênese hepática e renal se intensifica para manter os níveis mínimos de glicose necessários para células que dependem exclusivamente dela (como eritrócitos). Os principais precursores para a gliconeogênese são aminoácidos derivados da proteólise muscular, glicerol da lipólise e lactato. A compreensão dessas adaptações é crucial para o manejo de pacientes em jejum prolongado, como no pós-operatório.
Durante o jejum prolongado, as principais fontes de energia são os ácidos graxos liberados do tecido adiposo e os corpos cetônicos (acetoacetato e 3-hidroxibutirato) produzidos no fígado a partir da β-oxidação de ácidos graxos.
Os corpos cetônicos servem como uma fonte de energia alternativa para muitos tecidos, incluindo músculo cardíaco, esquelético e córtex renal, e, após alguns dias, também para o cérebro, poupando a glicose para células que dependem exclusivamente dela.
A glicose é mantida principalmente pela gliconeogênese hepática e renal, utilizando precursores como aminoácidos (da proteólise muscular), glicerol (da lipólise) e lactato. A utilização de corpos cetônicos por outros tecidos ajuda a poupar glicose.
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