MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um homem de 45 anos é resgatado por equipes de busca após ficar perdido em uma região de mata por cerca de 36 horas, sem acesso a alimentos, mas mantendo hidratação com água de um riacho próximo. Ao ser avaliado na unidade de emergência, o paciente apresenta-se orientado, com sinais de desidratação leve e glicemia capilar de 68 mg/dL. Do ponto de vista metabólico, o jejum prolongado desse indivíduo induz uma alta relação glucagon/insulina, o que promove a fosforilação de uma enzima bifuncional hepática (PFK-2/FBPase-2) pela Proteína Quinase A (PKA). Esse evento resulta na queda drástica dos níveis citosólicos de Frutose-2,6-bisfosfato. Qual é o efeito direto e imediato dessa alteração molecular no controle do fluxo metabólico hepático deste paciente?
Em pacientes com jejum prolongado ou cetoacidose, a regulação hormonal prioriza a gliconeogênese hepática. Lembre-se: o glucagon inibe a glicólise hepática para que o fígado seja um fornecedor, e não um consumidor de glicose.
O metabolismo hepático é crucial para a manutenção da homeostase glicêmica, especialmente em condições de jejum. Compreender as adaptações metabólicas durante o jejum prolongado é fundamental para a prática clínica, pois impacta desde a nutrição de pacientes até a interpretação de exames laboratoriais, sendo um tema recorrente em provas de residência. No jejum prolongado, a baixa insulina e o alto glucagon levam à ativação da Proteína Quinase A (PKA). A PKA fosforila a enzima bifuncional PFK-2/FBPase-2. Essa fosforilação ativa a atividade FBPase-2 (frutose-2,6-bisfosfatase) e inativa a atividade PFK-2 (fosfofrutocinase-2), resultando na diminuição drástica dos níveis citosólicos de Frutose-2,6-bisfosfato. Esta molécula é um potente ativador alostérico da Fosfofrutocinase-1 (PFK-1) e um inibidor da Frutose-1,6-bisfosfatase (FBPase-1). A queda da Frutose-2,6-bisfosfato tem um efeito direto e imediato: ela desinibe a Frutose-1,6-bisfosfatase (FBPase-1), enzima chave da gliconeogênese, e reduz a ativação da PFK-1, diminuindo a glicólise. Esse balanço metabólico favorece a produção de glicose pelo fígado (gliconeogênese) e inibe seu consumo, garantindo o suprimento de glicose para tecidos dependentes, como o cérebro, e é um mecanismo vital para a sobrevivência em períodos de escassez alimentar.
O músculo esquelético não possui receptores para glucagon e expressa uma isoforma diferente da enzima bifuncional que não é inibida pela fosforilação da PKA, permitindo que o músculo use glicose mesmo em jejum se necessário (ex: exercício).
A PFK-1 converte Frutose-6-P em Frutose-1,6-BP (etapa da glicólise), enquanto a PFK-2 converte Frutose-6-P em Frutose-2,6-BP (produção do regulador alostérico).
A insulina ativa uma fosfoproteína fosfatase que desfosforila a enzima bifuncional, ativando o domínio PFK-2. Isso aumenta os níveis de F-2,6-BP, estimulando fortemente a glicólise hepática.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo