CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Quais as substâncias participantes do metabolismo corneano afetadas diretamente durante utilização de lentes de contato?
Lentes de contato → ↓ aporte de O2 e ↓ efluxo de CO2 → hipóxia e acidose estromal.
A córnea é um tecido avascular que depende da difusão direta de oxigênio do filme lacrimal e da eliminação de CO2; as lentes de contato atuam como barreira física a esse fluxo gasoso.
O metabolismo corneano é predominantemente aeróbico, utilizando oxigênio atmosférico dissolvido na lágrima. A glicose, principal substrato energético, provém majoritariamente do humor aquoso por difusão retrógrada. No entanto, a utilização de lentes de contato interfere diretamente na interface ar-lágrima-epitélio. A redução da pressão parcial de oxigênio sob a lente força a córnea a entrar em metabolismo anaeróbico, aumentando a produção de ácido lático. Simultaneamente, a retenção de CO2 reduz o pH tecidual. Esses dois fatores são os principais responsáveis pelas complicações fisiológicas do uso de lentes, como o edema estromal e a disfunção epitelial.
A córnea obtém oxigênio principalmente através da dissolução do gás no filme lacrimal, que então se difunde através do epitélio. Quando uma lente de contato é colocada, ela atua como uma barreira. A quantidade de oxigênio que atinge a córnea depende da transmissibilidade da lente (DK/t). Se a lente for pouco permeável, ocorre hipóxia, levando ao metabolismo anaeróbico, acúmulo de lactato e edema corneano.
O dióxido de carbono é um subproduto do metabolismo corneano que normalmente se difunde para fora da córnea através do filme lacrimal. Lentes de contato com baixa permeabilidade impedem esse efluxo, causando hipercapnia tecidual. Isso resulta em uma queda no pH estromal (acidose), o que pode alterar a função endotelial e contribuir para o edema e alterações na transparência corneana.
Sinais de hipóxia crônica incluem neovascularização corneana (invasão de vasos no limbo), microcistos epiteliais, polimegetismo endotelial (alteração no tamanho das células endoteliais) e edema estromal. Em casos agudos, o paciente pode apresentar dor, visão turva e halos ao redor das luzes devido ao edema epitelial resultante da falha na bomba metabólica por falta de ATP.
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