USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Você atende na Unidade de Saúde da Família um paciente de 49 anos, portador de hipertensão arterial há 5 anos e diabetes há 3 anos. Faz uso das seguintes medicações: Losartana 100 mg ao dia, Anlodipino 5 mg ao dia, Glifage XR 2.000 mg ao dia e Gliclazida MR 30 mg ao dia. Nega história prévia de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico. Declara que sua mãe teve um infarto aos 58 anos de idade. Não conheceu o seu pai. É tabagista desde os 39 anos de idade, 10 cigarros diariamente. Ao exame físico: P: 94 Kg; E: 170 cm, IMC 32,5 Kg/m2. ACV: ritmo cardíaco regular, em dois tempos, bulhas normofonéticas. PA: 128/76 mmHg. Ap respiratório: murmurio vesicular presente bilateralmente, sem ruídos adventícios. Abdome plano, ruídos hidroaéreos presentes e normoativos, flácido, indolor à palpação, ausência de visceromegalias ou massas palpáveis. Exames laboratoriais: Colesterol total: 198 mg/dL; HDL colesterol: 45 mg/dL; Triglicerideos: 105 mg/dL; glicemia de jejum: 94 mg/dL; HbA1c: 6,8%; creatinina: 0,82 mg/dL. Considerando o caso clínico descrito, qual a meta de LDL colesterol para esse paciente?
Paciente com DM, HAS, tabagismo e histórico familiar precoce → risco cardiovascular muito alto → meta LDL < 70 mg/dL.
A meta de LDL-colesterol é definida pelo risco cardiovascular global do paciente. Neste caso, a presença de diabetes, hipertensão, tabagismo e histórico familiar precoce de doença coronariana classifica o paciente como de muito alto risco, exigindo uma meta de LDL < 70 mg/dL.
A estratificação do risco cardiovascular é um componente essencial na prática clínica, especialmente para pacientes com múltiplas comorbidades. A meta de LDL-colesterol não é um valor fixo para todos, mas sim individualizada com base no risco global do paciente para eventos cardiovasculares futuros. Pacientes são classificados em categorias de baixo, moderado, alto e muito alto risco, e essa classificação determina a agressividade do tratamento e as metas lipídicas. Neste caso, o paciente apresenta múltiplos fatores de risco: diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial sistêmica (HAS), tabagismo e histórico familiar precoce de doença coronariana (mãe com IAM aos 58 anos). A presença de DM por si só já o coloca em alto risco. No entanto, a combinação com HAS, tabagismo e histórico familiar precoce o eleva para a categoria de muito alto risco cardiovascular. Para pacientes nessa categoria, as diretrizes atuais recomendam uma meta de LDL-colesterol abaixo de 70 mg/dL, e em alguns casos, até mesmo abaixo de 50 mg/dL, dependendo das diretrizes e da presença de doença aterosclerótica estabelecida. O tratamento para atingir essas metas geralmente envolve mudanças no estilo de vida (dieta, exercícios, cessação do tabagismo) e terapia farmacológica, sendo as estatinas a primeira linha de tratamento para a redução do LDL-colesterol. O controle rigoroso de todos os fatores de risco é crucial para prevenir eventos cardiovasculares maiores, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico, melhorando a qualidade de vida e a sobrevida desses pacientes.
Fatores como diabetes mellitus, hipertensão arterial, tabagismo, dislipidemia, obesidade, histórico familiar precoce de doença cardiovascular e idade avançada são os principais contribuintes para o aumento do risco cardiovascular.
O diabetes mellitus é um equivalente de doença cardiovascular e, por si só, já coloca o paciente em alto risco. Quando associado a outros fatores, como hipertensão e tabagismo, eleva o paciente para a categoria de muito alto risco, exigindo metas de LDL mais rigorosas, geralmente abaixo de 70 mg/dL.
O histórico familiar de doença cardiovascular precoce (infarto ou AVC em parentes de primeiro grau antes dos 55 anos em homens ou 65 anos em mulheres) é um fator de risco independente que contribui significativamente para a estratificação do risco cardiovascular do paciente.
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