Mesotelioma Maligno: Relação com Asbesto e Diagnóstico

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020

Enunciado

R.R., masculino, 32 anos, branco, apresentou-se pela primeira vez em serviço de atenção primária com queixa de dor torácica havia dois meses, contínua, com piora à inspiração profunda e aos esforços. Negava febre, tosse ou dispneia. Apresentava emagrecimento de 15 kg em seis meses, com astenia e inapetência. Ao exame físico, apresentava-se descorado +/4, sem adenomegalias, afebril, levemente dispneico. PA=130/90 e P=96. Bulhas rítmicas normofonéticas. Murmúrio vesicular diminuído em todo o hemitórax direito e abolido em base direita. Ausência de massas ou infiltrações de parede torácica. Tomografia computadorizada de tórax mostrando espessamento pleural intenso com acometimento de parte do pericárdio. Após realização de biópsia de pleura apresenta patologia definitiva: mesotelioma maligno de pleura do tipo epitelial.

Alternativas

  1. A) O mesotelioma é um tumor com acometimento apenas pleural.
  2. B) A grande maioria dos tumores de pleura são malignos.
  3. C) A exposição ao asbesto está associada ao desenvolvimento do mesotelioma.
  4. D) A radioterapia é o tratamento de escolha para o mesotelioma maligno.
  5. E) O mesotelioma é um tumor secundário da pleura e seu sítio primário é normalmente o pulmão.

Pérola Clínica

Mesotelioma maligno: forte associação com exposição ao asbesto (amianto); manifesta-se com dor torácica, dispneia, emagrecimento.

Resumo-Chave

O mesotelioma maligno é um tumor agressivo da pleura, fortemente associado à exposição prévia ao asbesto. Sua apresentação clínica inclui dor torácica, dispneia e sintomas constitucionais como perda de peso, e o diagnóstico definitivo requer biópsia.

Contexto Educacional

O mesotelioma maligno é um tumor raro e agressivo que se origina das células mesoteliais, mais comumente na pleura (mesotelioma pleural maligno), mas também pode afetar o peritônio, pericárdio e túnica vaginal. Sua principal causa é a exposição ocupacional ou ambiental ao asbesto (amianto), com um período de latência que pode variar de 20 a 50 anos. É fundamental que residentes reconheçam a história de exposição e os sintomas para um diagnóstico precoce. Clinicamente, o mesotelioma manifesta-se com dor torácica pleurítica, dispneia progressiva, tosse, perda de peso, astenia e, frequentemente, derrame pleural. O exame físico pode revelar murmúrio vesicular diminuído ou abolido e macicez à percussão. A tomografia computadorizada de tórax tipicamente mostra espessamento pleural nodular, derrame pleural e, em estágios avançados, pode haver acometimento do pericárdio ou diafragma. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia pleural, com imuno-histoquímica para diferenciar de outros tumores. O prognóstico do mesotelioma maligno é geralmente reservado devido à sua agressividade e diagnóstico tardio. O tratamento é complexo e pode envolver cirurgia (pleurectomia/decorticação ou pleuropneumonectomia extrapleural em casos selecionados), quimioterapia (pemetrexede com cisplatina) e radioterapia. A radioterapia, embora útil para controle de sintomas, não é o tratamento de escolha curativo isolado. É um tumor primário da pleura, não secundário do pulmão.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa do mesotelioma maligno de pleura?

A principal causa do mesotelioma maligno de pleura é a exposição prolongada e prévia ao asbesto (amianto), com um longo período de latência entre a exposição e o desenvolvimento da doença.

Quais são os sintomas mais comuns do mesotelioma?

Os sintomas mais comuns incluem dor torácica pleurítica, dispneia progressiva, tosse, perda de peso inexplicada, astenia e, em alguns casos, derrame pleural.

O mesotelioma pode acometer outros órgãos além da pleura?

Sim, embora o mesotelioma pleural seja o mais comum, ele pode acometer o peritônio, o pericárdio e a túnica vaginal do testículo. A doença pode se disseminar localmente e à distância.

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