USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente, 40 anos, refere sangramento menstrual intenso em quantidade e com duração aumentada, além de piora progressiva há 6 meses. Apresenta diagnóstico de cirrose hepática Child B decorrente de hepatite C. Especular: sem alterações. Toque vaginal: útero antevertido, móvel, contornos regulares, volume normal. Assinale qual é a alternativa mais adequada para o controle do sangramento por via oral.
Menorragia em paciente com cirrose hepática: Ácido tranexâmico é a escolha segura e eficaz, evitando AINEs e hormônios com metabolismo hepático.
Em pacientes com cirrose hepática e sangramento menstrual intenso, o ácido tranexâmico é a opção mais segura e eficaz por ser um antifibrinolítico com mínima metabolização hepática. AINEs são contraindicados devido ao risco de sangramento gastrointestinal e piora da função renal, e hormônios podem ter metabolismo alterado e riscos trombóticos.
O manejo da menorragia em pacientes com comorbidades, como a cirrose hepática, exige uma abordagem cuidadosa e individualizada. A cirrose, especialmente em estágio Child B, implica em disfunção hepática significativa, afetando a síntese de fatores de coagulação, o metabolismo de hormônios e a hemodinâmica portal, o que pode exacerbar o sangramento menstrual e limitar as opções terapêuticas. Nesse cenário, o ácido tranexâmico se destaca como a escolha mais segura e eficaz para o controle do sangramento por via oral. Sendo um antifibrinolítico, ele atua localmente no endométrio, estabilizando o coágulo e reduzindo a perda sanguínea, com mínima metabolização hepática e excreção predominantemente renal, o que o torna adequado para pacientes com disfunção hepática. Sua eficácia é comprovada no tratamento da menorragia. É crucial evitar medicamentos que possam agravar a condição hepática ou aumentar o risco de sangramento. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ácido mefenâmico, são contraindicados devido ao risco de gastropatia hemorrágica, disfunção renal e descompensação da cirrose. Hormônios como estrogênio e progesterona, embora úteis em outras situações, podem ter seu metabolismo alterado na cirrose e apresentar riscos trombóticos ou de piora da função hepática, devendo ser usados com extrema cautela ou evitados.
O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que inibe a ativação do plasminogênio em plasmina, reduzindo a degradação do coágulo sanguíneo e, consequentemente, diminuindo o sangramento menstrual. Sua ação é local e não depende da síntese de fatores de coagulação.
AINEs podem causar gastropatia e sangramento gastrointestinal, além de piorar a função renal e a ascite em pacientes cirróticos, descompensando a doença hepática. Seu uso é de alto risco e deve ser evitado.
A cirrose pode causar coagulopatia devido à síntese reduzida de fatores de coagulação e trombocitopenia por hiperesplenismo, além de alterações no metabolismo hormonal, predispondo a sangramentos mais intensos e prolongados.
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