ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma paciente de 38 anos teve diagnóstico de câncer de mama há 18 meses, com realização de quimioterapia neoadjuvante e mastectomia à direita. Não menstrua há 12 meses. Há 6 meses queixa-se de calores e suores todas as noites, com prejuízo importante de sua qualidade de vida. Recentemente notou piora da lubrificação vaginal.Analisando o caso acima, o diagnóstico e a conduta apropriada são, respectivamente:
Menopausa precoce pós-câncer de mama → tratamento não hormonal para sintomas vasomotores (ISRS/IRSN) e hidratantes vaginais.
Em pacientes com histórico de câncer de mama e menopausa precoce induzida por tratamento, a terapia hormonal sistêmica é contraindicada devido ao risco de recorrência. O manejo dos sintomas vasomotores deve ser feito com opções não hormonais, como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou de serotonina e noradrenalina (IRSN), e a atrofia vaginal com hidratantes ou lubrificantes vaginais.
A menopausa precoce induzida por tratamentos oncológicos, como quimioterapia e terapia endócrina para câncer de mama, é uma condição comum que afeta significativamente a qualidade de vida das pacientes mais jovens. Caracteriza-se pela cessação da função ovariana antes dos 40 anos, manifestando-se com sintomas vasomotores intensos e atrofia urogenital. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para o bem-estar dessas mulheres. A incidência varia conforme a idade da paciente, tipo de quimioterapia e dose, sendo mais comum em mulheres próximas à menopausa natural. A importância clínica reside no impacto na qualidade de vida, saúde óssea e cardiovascular a longo prazo. A fisiopatologia envolve a toxicidade direta dos quimioterápicos sobre os folículos ovarianos, levando à depleção folicular e consequente diminuição da produção de estrogênio. O diagnóstico é clínico, baseado na amenorreia por 12 meses e sintomas característicos, em conjunto com o histórico de tratamento oncológico. A dosagem de FSH e estradiol pode confirmar a insuficiência ovariana. Deve-se suspeitar em qualquer mulher em idade reprodutiva submetida a quimioterapia que desenvolva sintomas menopáusicos. O tratamento é desafiador devido à contraindicação da terapia hormonal sistêmica em pacientes com câncer de mama. Para os sintomas vasomotores, são indicados fármacos não hormonais como ISRS (escitalopram, paroxetina), IRSN (venlafaxina, desvenlafaxina), gabapentina ou clonidina. Para a atrofia vaginal, hidratantes e lubrificantes vaginais são a primeira linha. O estriol vaginal em baixas doses pode ser considerado em casos refratários, com discussão individualizada de riscos e benefícios. O prognóstico dos sintomas pode melhorar com o tempo, mas a insuficiência ovariana é geralmente permanente. A atenção deve ser dada também à saúde óssea e cardiovascular, com suplementação de cálcio e vitamina D e monitoramento regular.
Os sintomas incluem calores, suores noturnos, distúrbios do sono, irritabilidade, diminuição da libido e atrofia urogenital, como ressecamento vaginal e dispareunia.
A terapia hormonal sistêmica é contraindicada devido ao risco de estimular a recorrência do câncer de mama, especialmente em tumores hormônio-sensíveis, que são a maioria.
As alternativas incluem inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) como escitalopram, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) como venlafaxina, gabapentina e clonidina. Para atrofia vaginal, hidratantes e lubrificantes são indicados.
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