HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022
Mulher de 53 anos de idade, sem menstruar há mais de um ano, procura atendimento de rotina. Nega fogachos, ressecamento vaginal e insônia. Como suas amigas da mesma idade têm essas queixas com frequência, ela gostaria de saber por que isso não acontece com ela. Ao exame, apresenta PA: 135 × 80 mmHg, IMC: 38 kg/m2. Vagina com rugosidade preservada, umidade presente. Útero de difícil avaliação pelo panículo adiposo aumentado. Uma das possíveis causas de ausência de sintomas climatéricos nessa paciente é a presença de
Obesidade na pós-menopausa → ↑ Tecido adiposo → ↑ Aromatase → ↑ Conversão androgênio-estrogênio → ↑ Estrogênios circulantes → ↓ Sintomas climatéricos.
Em mulheres obesas na pós-menopausa, o tecido adiposo atua como um local extragonadal significativo para a conversão de androgênios (produzidos pelas adrenais) em estrogênios, principalmente estrona, via enzima aromatase. Esses níveis estrogênicos mais elevados podem mitigar os sintomas climatéricos clássicos, como fogachos e ressecamento vaginal.
A menopausa é um marco biológico na vida da mulher, caracterizado pelo fim da menstruação e pela cessação da função ovariana, resultando em uma queda acentuada dos níveis de estrogênio. Essa deficiência estrogênica é responsável pelos sintomas climatéricos clássicos, como fogachos, sudorese noturna, ressecamento vaginal e alterações de humor. No entanto, nem todas as mulheres experimentam a mesma intensidade de sintomas, e fatores como a obesidade podem modular essa apresentação. Em mulheres obesas na pós-menopausa, o tecido adiposo desempenha um papel crucial na produção extragonadal de estrogênios. A enzima aromatase, abundante nos adipócitos, converte os androgênios (principalmente androstenediona, secretada pelas glândulas adrenais) em estrogênios, predominantemente estrona. Quanto maior a quantidade de tecido adiposo, maior a atividade da aromatase e, consequentemente, maiores os níveis de estrogênios circulantes. Esses níveis estrogênicos mais elevados, embora não sejam equivalentes aos produzidos pelos ovários na pré-menopausa, podem ser suficientes para atenuar ou até mesmo abolir os sintomas vasomotores e geniturinários associados à deficiência estrogênica. Assim, uma paciente obesa pode ter uma 'menopausa mais branda' em termos de sintomas, mas é importante ressaltar que a obesidade em si acarreta outros riscos à saúde, como aumento da incidência de doenças cardiovasculares, diabetes e certos tipos de câncer, que devem ser monitorados independentemente da presença de sintomas climatéricos.
A aromatase é uma enzima presente no tecido adiposo que converte androgênios (como a androstenediona, produzida pelas adrenais) em estrogênios, principalmente estrona. Na pós-menopausa, quando os ovários param de produzir estrogênios, essa conversão extragonadal torna-se a principal fonte de estrogênios circulantes.
Mulheres obesas possuem maior quantidade de tecido adiposo, o que resulta em maior atividade da enzima aromatase. Isso leva a níveis mais elevados de estrogênios circulantes (principalmente estrona) na pós-menopausa, que podem ser suficientes para atenuar ou eliminar os sintomas vasomotores e geniturinários associados à deficiência estrogênica.
Apesar da atenuação dos sintomas, a obesidade na pós-menopausa aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, certos tipos de câncer (mama, endométrio) e osteoartrite. Os estrogênios produzidos no tecido adiposo, embora aliviem sintomas, podem não conferir todos os benefícios protetores dos estrogênios ovarianos.
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