INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2024
Um menino de seis anos apresenta febre há cinco dias, coriza nasal e tosse. A mãe diz que, há dois dias, notou um exantema que começou na linha de implantação dos cabelos e foi “descendo” para o tronco e depois “espalhando” para as coxas e extremidades. Ao examinar a criança, ela está um pouco emagrecida e em regular estado geral. Chamam atenção um exantema morbiliforme em todo o corpo, manchas branco-acinzentadas e triangulares em conjuntiva de aspecto queratinizado, além de manchas azuladas na mucosa jugal, na altura dos pré-molares. A revisão dos demais sistemas não demonstra alterações dignas de nota. Considerando o diagnóstico mais provável, o tratamento mais apropriado a ser instituído será:
Sarampo (exantema descendente, Koplik, Bitot) → Suplementação Vitamina A (Palmitato de Retinol) para ↓ morbimortalidade.
O quadro clínico descrito é clássico de sarampo, com exantema morbiliforme craniocaudal, febre, tosse, coriza e as patognomônicas manchas de Koplik na mucosa jugal e manchas de Bitot na conjuntiva. O tratamento essencial, especialmente em crianças desnutridas ou com risco de complicações, é a suplementação de vitamina A, que reduz a morbimortalidade.
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo (família Paramyxoviridae). Apesar da disponibilidade da vacina, surtos ainda ocorrem, especialmente em populações com baixa cobertura vacinal. A doença é caracterizada por um pródromo de febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguido pelo aparecimento do exantema morbiliforme, que se inicia na face e desce para o tronco e extremidades. As manchas de Koplik, lesões branco-azuladas na mucosa jugal, são um sinal patognomônico que aparece antes do exantema. A deficiência de vitamina A é um fator de risco conhecido para a gravidade do sarampo e suas complicações, como pneumonia, diarreia e cegueira. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a suplementação de vitamina A para todas as crianças diagnosticadas com sarampo, independentemente do seu estado nutricional, pois demonstrou reduzir a morbimortalidade. A dose padrão é de 200.000 UI/dia por dois dias para crianças maiores de 1 ano, com uma terceira dose após quatro semanas em casos de deficiência. Para residentes, é crucial reconhecer o quadro clínico clássico do sarampo e instituir o tratamento adequado, que inclui suporte sintomático e, fundamentalmente, a suplementação de vitamina A. A prevenção, através da vacinação, permanece a medida mais eficaz para o controle da doença. A vigilância epidemiológica e a notificação de casos são essenciais para conter a disseminação.
As manchas de Koplik, pequenas lesões branco-azuladas na mucosa jugal, e as manchas de Bitot, lesões queratinizadas na conjuntiva, são sinais patognomônicos que auxiliam no diagnóstico precoce do sarampo.
A suplementação de vitamina A reduz a morbimortalidade do sarampo, especialmente em crianças desnutridas, diminuindo a gravidade da doença e a incidência de complicações como pneumonia, diarreia e cegueira.
O sarampo se diferencia pelo exantema maculopapular craniocaudal, febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e, principalmente, pelas manchas de Koplik e Bitot, que não estão presentes em outras exantemáticas.
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