Manejo da Anafilaxia Pediátrica: Dose de Adrenalina

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Um menino, 9 anos de idade, previamente hígido, está realizando exame de imagem com contraste endovenoso, e após a administração apresentou tosse e incomodo na garganta. Exame físico: acordado, orientado, tosse e discreta rouquidão, ausculta pulmonar sem alterações, pele sem alterações, taquipneico, FC 120 bpm, PA 80 x 50 mmHg. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada:

Alternativas

  1. A) Administrar difenidramina EV.
  2. B) Administrar difenidramina e hidrocortisona EV.
  3. C) Administrar 0,5 mg de adrenalina IM, sem diluir, no músculo vastolateral da coxa.
  4. D) Administrar 0,3 mg de adrenalina IM, sem diluir, no músculo vastolateral da coxa. E) Administrar 0,3 ml de adrenalina IM, com diluição 1:100, no músculo vastolateral da coxa.

Pérola Clínica

Anafilaxia → Adrenalina IM imediata (0,01 mg/kg, máx 0.3mg em crianças/0.5mg adultos).

Resumo-Chave

A anafilaxia é um diagnóstico clínico de emergência. A presença de hipotensão e sintomas respiratórios exige adrenalina IM imediata como primeira linha de tratamento.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal. Em pediatria, as causas comuns incluem alimentos, picadas de insetos e medicamentos (como contrastes radiológicos). A fisiopatologia envolve a degranulação maciça de mastócitos e basófilos, liberando histamina, triptase e mediadores lipídicos que causam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e bronconstrição. O reconhecimento da hipotensão em crianças deve ser ajustado pela idade; para um menino de 9 anos, uma PA sistólica de 80 mmHg já indica choque. O tratamento imediato com epinefrina reverte a vasodilatação periférica, reduz o edema de mucosa e promove broncodilatação. O posicionamento do paciente em decúbito dorsal com membros inferiores elevados também é recomendado para otimizar o retorno venoso.

Perguntas Frequentes

Qual a dose correta de adrenalina na anafilaxia pediátrica?

A dose recomendada de adrenalina (epinefrina) na anafilaxia para crianças é de 0,01 mg/kg de uma solução de 1:1000 (1 mg/ml), administrada por via intramuscular no músculo vasto lateral da coxa. A dose máxima para crianças pré-púberes é geralmente de 0,3 mg. Para adolescentes e adultos, a dose padrão é de 0,3 mg a 0,5 mg. A via intramuscular é preferível à subcutânea devido à absorção mais rápida e níveis plasmáticos mais consistentes.

Como diagnosticar anafilaxia rapidamente?

O diagnóstico é clínico e deve ser suspeitado quando há início agudo (minutos a horas) de envolvimento da pele/mucosas (urticária, angioedema) associado a pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório (dispneia, sibilância, estridor, rouquidão) ou queda da pressão arterial/sintomas de disfunção de órgãos-alvo (hipotonia, síncope, incontinência). No caso da questão, a criança apresenta rouquidão, taquipneia e hipotensão (PA 80x50 mmHg), preenchendo critérios de gravidade.

Qual o papel dos corticoides e anti-histamínicos na anafilaxia?

Corticoides e anti-histamínicos são terapias de segunda linha. Os anti-histamínicos ajudam a controlar sintomas cutâneos (prurido e urticária), mas não tratam a obstrução das vias aéreas ou o choque. Os corticoides podem prevenir reações bifásicas (embora a evidência seja limitada), mas levam horas para agir. Nenhuma dessas medicações deve atrasar a administração da adrenalina, que é a única droga que reduz a mortalidade.

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