Crupe em Crianças: Manejo da Obstrução das Vias Aéreas

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino de 18 meses de idade, iniciou rinorreia clara, tosse leve e febre baixa há 2 dias, evoluindo com rouquidão e dificuldade respiratória nas últimas 24 horas. Chega a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) apresentando estridor inspiratório em repouso, retração de fúrcula, esternal e de diafragma moderada, batimento de aletas nasais, sem cianose, permanecendo mais calmo no colo da mãe. Após ser colocado sob máscara de O2, a melhor conduta terapêutica para o caso clínico em questão é:

Alternativas

  1. A) Inalação com epinefrina e dexametasona via oral
  2. B) Inalação com Fenoterol e hidrocortisona IV
  3. C) Nebulização com solução fisiológica e prednisolona via oral
  4. D) Inalação com salbutamol e dexametasona via parenteral
  5. E) Nebulização com ar umidificado e budesonide inalatório

Pérola Clínica

Crupe moderado/grave: estridor em repouso → epinefrina inalatória + dexametasona oral/IM.

Resumo-Chave

O caso descreve um quadro clássico de crupe (laringite viral) com sinais de obstrução moderada das vias aéreas superiores (estridor em repouso, retrações). A epinefrina inalatória promove vasoconstrição e reduz o edema da laringe, enquanto a dexametasona (corticoide) tem efeito anti-inflamatório duradouro.

Contexto Educacional

O crupe, ou laringite viral aguda, é uma das causas mais comuns de obstrução das vias aéreas superiores em crianças, geralmente afetando aquelas entre 6 meses e 3 anos de idade. É caracterizado por tosse ladrante (tosse de cachorro), rouquidão e estridor inspiratório. A etiologia mais comum é o vírus parainfluenza. A avaliação da gravidade é fundamental para guiar o tratamento, sendo o estridor em repouso um sinal de doença moderada a grave. O manejo do crupe visa reduzir o edema da laringe e aliviar a obstrução. Para casos moderados a graves, a epinefrina inalatória é a pedra angular do tratamento, proporcionando alívio rápido dos sintomas através da vasoconstrição da mucosa. Complementarmente, os corticoides sistêmicos, como a dexametasona, são essenciais devido ao seu potente efeito anti-inflamatório e longa duração de ação, prevenindo a recorrência dos sintomas. É crucial que residentes e estudantes de medicina saibam identificar rapidamente os sinais de gravidade do crupe e iniciar o tratamento adequado sem demora. A observação do paciente após a administração da epinefrina é importante, pois o efeito é temporário e pode haver necessidade de doses repetidas ou internação, dependendo da resposta clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade no crupe que indicam necessidade de epinefrina?

Sinais de gravidade incluem estridor em repouso, retrações moderadas a graves (fúrcula, esternal, intercostal), agitação ou letargia, e cianose. O estridor em repouso já indica um quadro moderado a grave.

Qual o mecanismo de ação da epinefrina na laringite viral?

A epinefrina inalatória age como um agonista alfa-adrenérgico, causando vasoconstrição na mucosa da laringe e traqueia, o que leva à redução do edema e melhora da obstrução das vias aéreas superiores.

Por que a dexametasona é preferida a outros corticoides no tratamento do crupe?

A dexametasona é preferida devido à sua longa duração de ação e alta potência anti-inflamatória, permitindo uma dose única que cobre o período crítico de edema da via aérea, seja por via oral ou intramuscular.

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