Manejo da Anafilaxia Pediátrica: Diagnóstico e Conduta

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um menino de 2 anos e 4 meses, com diagnóstico prévio de alergia à proteína do leite de vaca (APLV), é levado à unidade de pronto atendimento após a ingestão acidental de um biscoito recheado em uma festa infantil. Cerca de 15 minutos após a exposição, a criança apresentou subitamente placas eritematosas pruriginosas disseminadas pelo tronco e membros, associadas a edema bipalpebral e labial. Durante o transporte, iniciou quadro de tosse seca persistente e um episódio de vômito alimentar. Ao exame físico inicial, apresenta-se irritado, com frequência cardíaca de 148 bpm, frequência respiratória de 40 irpm, saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente e tempo de enchimento capilar de 2 segundos. À ausculta pulmonar, notam-se sibilos expiratórios difusos e tempo expiratório prolongado. O diagnóstico e a conduta imediata mais adequada para este paciente são:

Alternativas

  1. A) Choque anafilático; adrenalina milesimal (1:1000) por via endovenosa direta e expansão volêmica.
  2. B) Urticária aguda e angioedema; anti-histamínico H1 endovenoso e observação clínica.
  3. C) Crise de asma desencadeada por alérgeno; salbutamol inalatório e corticoide intravenoso.
  4. D) Anafilaxia; adrenalina milesimal (1:1000) por via intramuscular na face anterolateral da coxa.

Pérola Clínica

Anafilaxia → Adrenalina IM (1:1000) imediata no vasto lateral da coxa.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma emergência multissistêmica. O diagnóstico é clínico e o tratamento com adrenalina IM não deve ser retardado por outras medidas ou exames.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal. Em pediatria, os gatilhos alimentares (como leite de vaca, ovo e amendoim) são os mais comuns. A fisiopatologia envolve a degranulação massiva de mastócitos e basófilos, geralmente mediada por IgE, liberando mediadores como histamina e triptase que causam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e broncoespasmo. O reconhecimento precoce é vital para o prognóstico. O caso clínico apresenta envolvimento cutâneo (urticária/edema), respiratório (tosse/sibilos) e gastrointestinal (vômito) após exposição a alérgeno conhecido (APLV), preenchendo critérios claros para anafilaxia. A adrenalina é a única medicação que reduz a mortalidade; corticoides e anti-histamínicos são medicações de segunda linha que agem apenas em sintomas cutâneos e na prevenção de reações bifásicas, nunca devendo atrasar a administração da epinefrina.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para anafilaxia?

A anafilaxia é provável quando há início agudo de envolvimento da pele/mucosa (urticária, angioedema) associado a pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório (dispneia, sibilos, estridor), redução da pressão arterial ou disfunção de órgãos-alvo. No caso de exposição a alérgeno conhecido para o paciente, o envolvimento de dois ou mais sistemas (pele, respiratório, gastrointestinal, cardiovascular) confirma o diagnóstico clínico imediato.

Por que a via intramuscular é preferida para adrenalina?

A via intramuscular (IM) no vasto lateral da coxa proporciona uma absorção mais rápida e níveis plasmáticos de epinefrina mais elevados e sustentados do que a via subcutânea. Além disso, a via IM é significativamente mais segura que a endovenosa direta em pacientes com circulação preservada, evitando complicações como arritmias graves, isquemia miocárdica e picos hipertensivos acidentais.

Qual a dose de adrenalina 1:1000 na pediatria?

A dose recomendada de adrenalina milesimal (1:1000) é de 0,01 mg/kg por via intramuscular, com dose máxima de 0,3 mg em crianças e 0,5 mg em adolescentes ou adultos. A aplicação deve ser feita na face anterolateral da coxa. Caso não haja resposta clínica satisfatória em 5 a 15 minutos, a dose pode ser repetida enquanto se prepara o suporte avançado de vida.

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