Sarampo em Crianças: Diagnóstico e Complicações Graves

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino de 3 anos iniciou há 4 dias com febre, tosse, cefaleia, mal-estar, prostração intensa. Hoje procura atendimento devido o início de exantema, que segundo a mãe começou na região do pavilhão auricular e rapidamente se disseminou para face e pescoço. O exantema é maculopapular eritematoso, morbiliforme. Apresenta o maior valor aferido de temperatura, (39,9°C). Ao examinar o paciente é evidente que tem tosse seca, intensa, implacável, acompanhada de coriza abundante, hialina, enantema, olhos hiperemiados com lacrimejamento, edema bipalpebral e fotofobia.

Alternativas

  1. A) Potenciais complicações desta doença são laringite, pneumonite intersticial e miocardite.
  2. B) Complicação mais comum da doença deste paciente é a panencefalite esclerosante subaguda.
  3. C) Podemos considerar esta doença potencialmente benigna, cursando habitualmente com poucas complicações.
  4. D) Para os contactuantes a conduta é aplicar a vacina contra o sarampo até 24 horas após o contágio: após esse período, até 14 dias, aplicar a imunoglobulina humana normal.

Pérola Clínica

Sarampo = exantema céfalo-caudal + febre alta + tríade (tosse, coriza, conjuntivite). PES é complicação tardia grave.

Resumo-Chave

O quadro clínico é altamente sugestivo de sarampo, com a tríade clássica e exantema morbiliforme. Embora a panencefalite esclerosante subaguda seja uma complicação rara, é grave e tardia, sendo importante conhecê-la no contexto da doença.

Contexto Educacional

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo (Morbillivirus). Caracteriza-se por febre alta, exantema maculopapular morbiliforme e a tríade catarral (tosse, coriza e conjuntivite). Apesar de ter sido amplamente controlada pela vacinação, surtos ainda ocorrem em populações com baixa cobertura vacinal, tornando seu reconhecimento crucial para a saúde pública e para a prática clínica de residentes. O diagnóstico do sarampo é predominantemente clínico, baseado nos sintomas característicos e na progressão do exantema. A fisiopatologia envolve a replicação viral no trato respiratório e disseminação linfática, culminando na viremia e nas manifestações cutâneas e sistêmicas. É fundamental suspeitar de sarampo em pacientes com febre, exantema e sintomas respiratórios, especialmente se houver histórico de contato ou baixa cobertura vacinal na comunidade. As complicações do sarampo podem ser graves, incluindo otite média, pneumonia (viral ou bacteriana secundária), laringite, diarreia e, mais raramente, encefalite aguda e panencefalite esclerosante subaguda (PES). A PES é uma complicação neurológica degenerativa tardia e fatal, que se manifesta anos após a infecção primária. O tratamento é de suporte, e a prevenção é a medida mais eficaz através da vacinação com a vacina tríplice viral (SCR), que confere imunidade duradoura.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos do sarampo em crianças?

O sarampo se manifesta com febre alta, tosse, coriza e conjuntivite (tríade catarral), seguidos por um exantema maculopapular morbiliforme que se inicia na face e se dissemina para o corpo. Manchas de Koplik podem aparecer na mucosa bucal.

Qual a importância da panencefalite esclerosante subaguda (PES) como complicação do sarampo?

A PES é uma complicação neurológica degenerativa rara, mas fatal, do sarampo, que se manifesta anos após a infecção inicial. Sua ocorrência reforça a importância da vacinação universal contra o sarampo.

Como é feita a prevenção do sarampo e qual a conduta para contactuantes?

A prevenção primária é feita pela vacina tríplice viral (SCR). Para contactuantes, a vacina pode ser administrada até 72 horas pós-exposição para indivíduos suscetíveis, e imunoglobulina para grupos de alto risco (imunocomprometidos, gestantes, lactentes <6 meses) até 6 dias pós-exposição.

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