Vacina BCG: Ausência de Cicatriz e Conduta na Revacinação

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2021

Enunciado

Menino com seis meses de idade, trazido à consulta de rotina para vigilância do crescimento/desenvolvimento. A criança nasceu de parto cesárea com 36 semanas de idade gestacional sem intercorrências. Apresenta caderneta da criança com vacinação atualizada. Ao exame físico não foi observada pega da vacina BCG no braço da criança. A conduta nesse caso com quanto à imunização da BCG deve ser:

Alternativas

  1. A) Não revacinar.
  2. B) Aguardar até 12 meses de idade para revacinar.
  3. C) Realizar PPD e revacinar se PPD menor do que 15 mm.
  4. D) Realizar PPD e revacinar se PPD menor do que 10 mm.

Pérola Clínica

Ausência de cicatriz vacinal BCG em criança vacinada → Não revacinar.

Resumo-Chave

A ausência de cicatriz vacinal após a BCG não indica falha na imunização e, portanto, não é critério para revacinação. Estudos demonstram que a proteção conferida pela vacina não está diretamente correlacionada com a presença ou tamanho da cicatriz.

Contexto Educacional

A vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guérin) é uma das primeiras vacinas administradas em recém-nascidos no Brasil, parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Seu objetivo principal é proteger contra as formas graves de tuberculose, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, que são mais comuns e devastadoras em crianças. A vacina é aplicada intradermicamente, geralmente no deltoide direito, e frequentemente resulta em uma lesão local que evolui para uma cicatriz característica. Historicamente, a presença da cicatriz vacinal era considerada um indicador de sucesso da vacinação. No entanto, estudos e diretrizes atuais, incluindo as do Ministério da Saúde do Brasil, estabelecem que a ausência de cicatriz vacinal não significa que a criança não foi imunizada ou que não está protegida. A resposta imune pode ser desenvolvida sem a formação da cicatriz, e a revacinação não confere proteção adicional comprovada, além de expor a criança a riscos desnecessários de reações adversas. Portanto, a conduta correta para uma criança com vacinação BCG atualizada, mas sem cicatriz, é não revacinar. O foco deve ser na vigilância do crescimento e desenvolvimento e na manutenção do calendário vacinal completo. O teste tuberculínico (PPD) não é recomendado para avaliar a necessidade de revacinação da BCG, sendo utilizado em outros contextos diagnósticos da tuberculose.

Perguntas Frequentes

A ausência de cicatriz vacinal da BCG significa que a criança não está protegida?

Não, a ausência de cicatriz vacinal não é um indicador de falha na imunização ou de falta de proteção contra as formas graves de tuberculose. A resposta imune pode ocorrer sem a formação da lesão cicatricial.

Qual a recomendação atual do Ministério da Saúde sobre a revacinação da BCG?

De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, a revacinação da BCG não é recomendada, mesmo na ausência de cicatriz vacinal, pois não há evidências de que uma segunda dose confira proteção adicional.

Quando a vacina BCG é indicada e qual sua principal função?

A vacina BCG é indicada ao nascer, preferencialmente nas primeiras horas de vida, ou o mais cedo possível. Sua principal função é proteger contra as formas graves de tuberculose, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, especialmente em crianças.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo