SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Menino, 8 anos de idade, com quadro de dor e edema peniano há 12 horas, foi levado ao pronto atendimento pelos pais. Não havia histórico de traumas ou intervenções cirúrgicas locais na região genital. Exame físico: glande edemaciada e de coloração violácea, com o prepúcio retraído firmemente atrás da glande, dificultando o retorno à posição normal. A região apresentava edema e sinais de congestão vascular, sem sinais de secreção purulenta ou ulceração visível. Com base nessa situação hipotética, a hipótese diagnóstica é:
Prepúcio retraído + anel constritor + edema de glande = Parafimose (Emergência!).
A parafimose é uma emergência urológica onde o prepúcio retraído atua como um torniquete, causando congestão venosa, edema progressivo e risco de necrose da glande se não reduzido prontamente.
A parafimose é uma condição iatrogênica ou acidental frequente em pediatria e em pacientes idosos cateterizados. A fisiopatologia baseia-se no aprisionamento da glande por um anel prepucial estenótico. O edema resultante cria um ciclo vicioso: quanto mais edema, mais difícil a redução e maior a constrição. O diagnóstico é puramente clínico, baseado na inspeção visual da glande violácea e edemaciada com o prepúcio acumulado proximalmente. O tratamento deve ser imediato. Após a resolução do quadro agudo, a circuncisão (postectomia) é geralmente indicada de forma eletiva para prevenir recorrências.
A fimose é a incapacidade de retrair o prepúcio para expor a glande, geralmente uma condição crônica e não emergencial. Já a parafimose ocorre quando o prepúcio é retraído (muito comum após limpeza ou sondagem) e não consegue retornar à posição original. O anel prepucial estreito fica posicionado atrás do sulco balanoprepucial, causando um efeito de torniquete que gera edema agudo e dor intensa, configurando uma emergência médica.
A redução manual consiste em comprimir firmemente a glande edemaciada por alguns minutos para reduzir o volume do edema (pode-se usar gelo ou substâncias osmóticas como açúcar) e, em seguida, empurrar a glande através do anel constritor enquanto se traciona o prepúcio para frente. O procedimento é doloroso e pode exigir analgesia sistêmica ou bloqueio nervoso peniano em crianças.
Se não for reduzida rapidamente, a obstrução venosa e linfática progride para obstrução arterial. Isso resulta em isquemia da glande, que pode evoluir para necrose tecidual, gangrena e perda funcional ou anatômica do pênis. Em casos onde a redução manual falha, procedimentos cirúrgicos de urgência, como a postectomia ou a dorsal slit (incisão dorsal do anel), são necessários.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo