Cólera: Diagnóstico Clínico e Vigilância Epidemiológica

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2017

Enunciado

Menino de 7 anos com diarreia profusa de início súbito, com diarreia aquosa, abundante e incoercível, com inúmeras dejeções diárias, vômitos, dor abdominal e câimbras. Sem febre. Pelo quadro descrito na notificação, a classificação provisória do caso quanto a etiologia para o Sistema de Vigilância Epidemiológica, enquanto se aguarda o resultado da cultura é 

Alternativas

  1. A) cólera.\n
  2. B) febre maculosa.\n
  3. C) dengue hemorrágica.\n
  4. D) leptospirose.\n

Pérola Clínica

Diarreia aquosa profusa ('água de arroz') + vômitos + câimbras + sem febre = Cólera.

Resumo-Chave

A cólera é causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae, que provoca secreção maciça de eletrólitos e água no lúmen intestinal, levando à desidratação rápida e choque.

Contexto Educacional

A cólera é uma doença infecciosa intestinal aguda, de transmissão fecal-oral, com alto potencial epidêmico. O quadro clínico clássico é a diarreia 'em água de arroz', acompanhada de vômitos e câimbras musculares (devido à perda crítica de potássio e cálcio). A ausência de febre é um marcador importante que ajuda a diferenciar de outras enterites invasivas como a shiguelose. Do ponto de vista da saúde pública, a cólera é uma doença de notificação compulsória imediata. O manejo adequado foca na estabilização hemodinâmica rápida e na prevenção da disseminação através de saneamento e higiene rigorosos. A vigilância epidemiológica atua na identificação precoce de casos para evitar surtos explosivos, comuns em áreas com infraestrutura precária.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da diarreia na cólera?

A diarreia é mediada pela toxina colérica produzida pelo Vibrio cholerae. Essa toxina liga-se aos receptores GM1 nos enterócitos, ativando permanentemente a adenilato ciclase. Isso eleva os níveis intracelulares de AMP cíclico (AMPc), o que bloqueia a absorção de sódio e estimula a secreção ativa de cloreto e água para o lúmen intestinal. O resultado é uma diarreia secretora volumosa e isotônica que pode levar ao choque hipovolêmico em poucas horas se não tratada.

Como é feita a classificação de caso suspeito de cólera?

Para fins de vigilância, considera-se caso suspeito qualquer indivíduo com diarreia aguda aquosa, de início súbito, com ou sem vômitos, em áreas com ocorrência de casos ou em pessoas que viajaram para áreas endêmicas nos últimos 10 dias. Em situações de surto, a definição pode ser ampliada. A confirmação é laboratorial via cultura de fezes (meio TCBS), mas a classificação provisória deve ser imediata para desencadear medidas de controle e bloqueio epidemiológico.

Qual o pilar do tratamento da cólera?

O tratamento baseia-se fundamentalmente na reidratação agressiva. Casos leves e moderados são tratados com Terapia de Reidratação Oral (TRO). Casos graves, com sinais de choque ou incapacidade de ingestão oral, exigem hidratação venosa imediata com Ringer Lactato ou Soro Fisiológico. O uso de antibióticos (como azitromicina ou doxiciclina) é indicado para reduzir o volume das dejeções e o tempo de excreção do vibrião, mas nunca substitui a hidratação.

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