UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Menino, 4 anos de idade, apresenta cansaço há 1 dia e tosse seca com piora há 3 horas. Paciente tem asma e parou a medicação de controle há 1 semana por estar sem crise há 2 meses. Exame físico: FR = 42 irpm, fala apenas frases curtas, SpO₂ = 95% em ar ambiente. De acordo com o GINA (Global Initiative for Asthma), qual é a classificação da crise e a conduta imediata?
Fala frases curtas + Taquipneia + SpO2 95% → Crise Grave → SABA + Ipratrópio + Corticoide.
A classificação da gravidade da crise de asma guia a intensidade do tratamento inicial; crises graves exigem terapia combinada com broncodilatadores e corticoterapia sistêmica precoce.
O manejo da exacerbação asmática em pediatria baseia-se na avaliação dinâmica da gravidade clínica. O GINA enfatiza a importância do reconhecimento precoce de sinais de gravidade para evitar a progressão para insuficiência respiratória. A base do tratamento é a reversão da obstrução ao fluxo aéreo com broncodilatadores de ação rápida e o controle da inflamação com corticosteroides. É fundamental diferenciar o tratamento de manutenção (controle) do tratamento de resgate (crise). O uso de espaçadores valvulados é a via preferencial de administração de sprays (MDI), sendo tão eficaz quanto a nebulização e com menos efeitos colaterais sistêmicos.
Segundo o GINA e diretrizes brasileiras, uma crise é considerada grave quando a criança apresenta sinais de desconforto respiratório importante: fala apenas palavras ou frases curtas, apresenta frequência respiratória significativamente elevada para a idade, usa musculatura acessória (tiragem intercostal ou subcostal), apresenta frequência cardíaca aumentada e pode ter saturação de oxigênio (SpO2) entre 90-95%. A incapacidade de completar frases e a agitação são sinais de alerta críticos que exigem intervenção imediata e agressiva no ambiente de emergência.
O brometo de ipratrópio é um anticolinérgico que promove broncodilatação por um mecanismo diferente dos beta-2 agonistas. Na crise de asma moderada a grave, a associação do ipratrópio ao salbutamol (SABA) nas primeiras horas de tratamento demonstrou reduzir significativamente as taxas de hospitalização e promover uma melhora mais rápida da função pulmonar em comparação ao uso isolado do beta-2. Ele não deve ser usado como monoterapia, mas sim como adjuvante nas fases iniciais do resgate.
O corticoide sistêmico (oral ou intravenoso) está indicado em todas as crises de asma moderadas e graves, e nas crises leves que não respondem prontamente ao uso inicial de beta-2 agonista de curta ação. O objetivo é reduzir a inflamação das vias aéreas e prevenir a recorrência da crise. A via oral (prednisolona 1-2 mg/kg/dia) é preferível por ser tão eficaz quanto a intravenosa, tendo absorção rápida. O tratamento geralmente dura de 3 a 5 dias em crianças, sem necessidade de desmame gradual se usado por curto período.
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