Anafilaxia Pediátrica: Diagnóstico e Manejo Imediato

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 8 anos de idade, apresentou, subitamente, manchas vermelhas sobrelevadas em várias regiões do corpo, inchaço de pálpebras e lábio superior, hiperemia de conjuntivas e lacrimejamento, tosse e esforço respiratório discreto durante festa infantil, na qual brincou e comeu vários doces e salgados. No Pronto-Socorro, é recebido consciente, com sibilos difusos e saturação de oxigênio de 94%. O diagnóstico e a conduta adequados ao quadro são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) urticaria generalizada; metilprednisolona IV.
  2. B) angioedema; defenidramina.
  3. C) crise asmática de etiologia alérgica; beta-agonista inalatório.
  4. D) anafilaxia; adrenalina IM.
  5. E) reação alérgica tardia; prednisolona VO.

Pérola Clínica

Anafilaxia = reação alérgica grave e sistêmica → adrenalina IM é a conduta inicial e mais importante.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma reação alérgica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que envolve múltiplos sistemas. A presença de urticária, angioedema, sintomas respiratórios (sibilos, tosse) e gastrointestinais, especialmente após exposição a um alérgeno conhecido ou suspeito, exige tratamento imediato com adrenalina intramuscular.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que pode ocorrer após exposição a alérgenos como alimentos, medicamentos ou picadas de insetos. É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos. Em crianças, a anafilaxia é frequentemente desencadeada por alimentos, e a rápida progressão dos sintomas é um sinal de alerta crucial. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, leucotrienos) por mastócitos e basófilos, resultando em vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e espasmo da musculatura lisa. Os sintomas podem incluir urticária, angioedema, prurido, dispneia, sibilos, tosse, dor abdominal, vômitos, tontura e hipotensão. O diagnóstico é clínico, baseado na apresentação dos sintomas e na história de exposição. O tratamento de primeira linha para anafilaxia é a administração imediata de adrenalina por via intramuscular (IM), na dose de 0,01 mg/kg (máximo de 0,5 mg) na face anterolateral da coxa. Após a adrenalina, outras medidas de suporte incluem oxigenoterapia, fluidos intravenosos para hipotensão, anti-histamínicos (H1 e H2) e corticosteroides para prevenir reações bifásicas. A observação hospitalar é recomendada por pelo menos 4-6 horas, ou mais, dependendo da gravidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia?

Anafilaxia é diagnosticada pela presença de início agudo de sintomas em pele/mucosas (urticária, angioedema) e/ou sintomas respiratórios (dispneia, sibilos) e/ou hipotensão/sintomas de disfunção orgânica, ou dois ou mais desses sistemas afetados após exposição a um alérgeno provável.

Por que a adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A adrenalina age rapidamente como vasoconstritor (aumenta a pressão arterial), broncodilatador (melhora a respiração) e inibe a liberação de mediadores inflamatórios. Sua administração intramuscular garante absorção rápida e eficaz, sendo crucial para reverter os sintomas e prevenir a progressão do choque.

Quais são os principais diferenciais da anafilaxia em crianças?

Os diferenciais incluem crise asmática grave, urticária aguda isolada, angioedema hereditário, síncope vasovagal, aspiração de corpo estranho e outras causas de choque (séptico, cardiogênico). A rápida progressão e o envolvimento multissistêmico favorecem a anafilaxia.

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