Anafilaxia Pediátrica: Reconhecimento e Tratamento com Adrenalina

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino de 1 ano e 2 meses com história de alergia ao leite de vaca desde os 6 meses de vida apresentou ingestão acidental de um biscoito que continha leite na composição. Após 15 minutos da ingestão, iniciou com placas eritematosas e pruriginosas em face que evoluíram rapidamente, espalhando por todo corpo. Associado a isto, apresentou coriza, lacrimejamento, edema palpebral e sibilância. Sobre o caso acima, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um caso de urticária aguda com angioedema por alergia.
  2. B) Trata-se de um caso de anafilaxia por alergia alimentar IgE mediada. O tratamento a ser instituído é adrenalina intramuscular.
  3. C) Trata-se de um caso de anafilaxia por alergia alimentar IgE mediada. O tratamento a ser instituído é nebulização com anti-histamínico IM e corticosteróide IV.
  4. D) Trata-se de um caso de urticária aguda com angioedema por alergia alimentar IgE mediada. O tratamento a ser instituído é anti-histamínico.

Pérola Clínica

Anafilaxia = envolvimento de ≥2 sistemas (pele, respiratório, gastrointestinal, cardiovascular) após exposição a alérgeno → Adrenalina IM é 1ª linha.

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito (urticária generalizada, edema palpebral, sintomas respiratórios como sibilância e coriza) após exposição a um alérgeno conhecido (leite de vaca) caracteriza anafilaxia. A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e mais importante para a anafilaxia.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que requer reconhecimento imediato e tratamento urgente. Em crianças, a alergia alimentar é a causa mais comum, sendo o leite de vaca um dos principais alérgenos. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios, principalmente histamina, por mastócitos e basófilos, após exposição a um alérgeno em indivíduos previamente sensibilizados (reação IgE mediada). O diagnóstico de anafilaxia é clínico e baseia-se na apresentação de sintomas que afetam dois ou mais sistemas orgânicos (pele, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após exposição a um alérgeno. No caso descrito, a presença de urticária generalizada, edema palpebral e sibilância indica claramente o envolvimento de múltiplos sistemas, caracterizando uma anafilaxia. O tratamento de escolha e mais importante para a anafilaxia é a administração imediata de adrenalina intramuscular (IM), preferencialmente na face anterolateral da coxa. A adrenalina atua como vasoconstritor, broncodilatador e inibidor da liberação de mediadores, revertendo os sintomas graves. Anti-histamínicos e corticosteroides são terapias adjuvantes que podem ser usadas para aliviar sintomas cutâneos e prevenir reações bifásicas, mas nunca devem atrasar a administração de adrenalina.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar anafilaxia?

A anafilaxia é diagnosticada pela presença de envolvimento agudo de pele/mucosas (urticária, angioedema) e pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório (sibilância, dispneia), hipotensão ou sintomas gastrointestinais persistentes.

Qual é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A adrenalina intramuscular (IM) é o tratamento de primeira linha e mais eficaz para a anafilaxia, devendo ser administrada prontamente na face anterolateral da coxa.

Por que anti-histamínicos e corticosteroides não são suficientes para tratar a anafilaxia?

Anti-histamínicos e corticosteroides são tratamentos adjuvantes que podem aliviar alguns sintomas cutâneos e prevenir reações bifásicas, mas não revertem a broncoconstrição ou a hipotensão, não substituindo a adrenalina.

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