UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Menino de 2 anos acordou a noite com intensa tosse e rouquidão. Ao exame físico: T 36,3 °C, FC 123 bpm, FR 50 irpm, SatO2 95% (ar ambiente), discreta retração em fúrcula, estridor laríngeo audível quando tosse. A conduta deve ser:
Crupe moderado (estridor em repouso, retrações leves) → Epinefrina racêmica nebulizada + Dexametasona VO.
O quadro clínico de tosse ladrante, rouquidão e estridor em criança de 2 anos é sugestivo de crupe (laringite viral). A presença de estridor audível e retrações leves indica um quadro moderado que se beneficia da epinefrina racêmica para reduzir o edema da via aérea e da dexametasona para ação anti-inflamatória prolongada.
O crupe, ou laringite viral aguda, é uma causa comum de obstrução de via aérea superior em crianças pequenas, tipicamente entre 6 meses e 3 anos de idade. É caracterizado pela tríade clássica de tosse ladrante (semelhante a um latido de foca), rouquidão e estridor inspiratório. A etiologia mais comum é o vírus parainfluenza. A avaliação da gravidade é crucial para determinar a conduta, baseando-se na presença de estridor em repouso, retrações torácicas e nível de consciência. O caso descrito, com estridor audível quando tosse e discreta retração em fúrcula, sugere um crupe de gravidade moderada. Nesses casos, a intervenção visa reduzir o edema da via aérea e aliviar o desconforto respiratório. A nebulização com epinefrina racêmica é indicada para promover vasoconstrição na mucosa laríngea, diminuindo o edema subglótico e melhorando rapidamente o estridor. Seu efeito é rápido, mas transitório, o que exige observação após a administração. Complementarmente, a administração de um corticoide sistêmico é fundamental para um efeito anti-inflamatório mais duradouro. A dexametasona oral é a escolha preferencial devido à sua potência, longa meia-vida e boa biodisponibilidade oral, permitindo uma dose única que cobre o período crítico da doença. A combinação de epinefrina racêmica e dexametasona é a conduta padrão para o crupe moderado a grave, visando estabilizar o paciente e prevenir a progressão para insuficiência respiratória.
Sinais de alerta incluem estridor em repouso, retrações torácicas moderadas a graves, cianose, agitação ou letargia, e hipoxemia, indicando obstrução significativa da via aérea e necessidade de intervenção imediata.
A epinefrina racêmica, por sua ação alfa-adrenérgica, causa vasoconstrição na mucosa laríngea, reduzindo o edema subglótico e aliviando a obstrução da via aérea, o que melhora o estridor e o desconforto respiratório.
A dexametasona é preferida devido à sua longa duração de ação e potente efeito anti-inflamatório, que ajuda a reduzir o edema da via aérea de forma sustentada, podendo ser administrada em dose única oral.
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