UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021
Menor de 1 ano de idade, com quadro de tosse e leve dispneia há 40 dias, com febre baixa intermitente, foi atendido algumas vezes em UPA, onde foram prescritos 2 esquemas de antibióticos orais, sendo o primeiro de amoxicilina oral por 10 dias e o segundo de azitromicina por 5 dias, com doses normais. Não houve melhora do quadro, mantendo imagem radiológica de infiltrado pulmonar em hemitórax direito. Há 1 semana, vem evoluindo ainda com febre, com aparecimento de choro frequente e irritabilidade. Foi realizado punção lombar, com alguns resultados do exame do líquor, apresentando pleocitose de 450 leucócitos/mm³, sendo 90% de linfócitos e 10% de polimorfonucleares, com proteinorraquia de 160mg% e glicorraquia de 68mg%. Aguarda-se outros exames do líquor. Baseado nesses dados, a PRINCIPAL hipótese diagnóstica é:
Meningite tuberculosa em lactente: quadro arrastado pulmonar + neurológico, líquor com pleocitose linfocitária, proteinorraquia alta, glicorraquia normal/discretamente baixa.
A meningoencefalite tuberculosa em crianças, especialmente lactentes, apresenta um curso insidioso com sintomas inespecíficos e progressão lenta. A combinação de um quadro pulmonar crônico que não responde a antibióticos comuns e o surgimento de sinais neurológicos, com alterações liquóricas características (linfocitose, hiperproteinorraquia, glicorraquia normal/levemente baixa), deve levantar forte suspeita.
A meningoencefalite tuberculosa é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, particularmente desafiadora em lactentes devido à inespecificidade dos sintomas e à dificuldade diagnóstica. É uma condição com alta morbimortalidade se não tratada precocemente. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em crianças com história de contato com adultos doentes ou que vivem em áreas de alta prevalência. O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos (quadro arrastado, sintomas pulmonares e neurológicos progressivos), epidemiológicos e laboratoriais, com destaque para a análise do líquor cefalorraquidiano. O padrão liquórico de pleocitose linfocitária, hiperproteinorraquia e glicorraquia normal ou levemente reduzida é altamente sugestivo. Exames complementares como cultura de líquor para Mycobacterium tuberculosis (BAAR), teste de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN) e neuroimagem (TC ou RM) são essenciais para confirmação e avaliação da extensão da doença. O tratamento da meningoencefalite tuberculosa é prolongado, envolvendo múltiplos fármacos antituberculose e, frequentemente, corticosteroides para reduzir a inflamação e o risco de sequelas neurológicas. A identificação precoce e o início imediato do tratamento são cruciais para melhorar o prognóstico e minimizar as complicações, como hidrocefalia, déficits neurológicos permanentes e convulsões.
Os achados clássicos incluem pleocitose com predomínio linfocitário (geralmente >50%), proteinorraquia elevada (>100 mg/dL) e glicorraquia normal ou discretamente reduzida (geralmente entre 40-70 mg/dL), diferente da hipoglicorraquia acentuada da meningite bacteriana.
A tuberculose do SNC é frequentemente uma complicação de uma infecção primária em outro local, como os pulmões. Um quadro pulmonar arrastado e refratário a antibióticos comuns em um lactente deve levantar a suspeita de tuberculose e a possibilidade de disseminação para o sistema nervoso central.
Os diferenciais incluem outras meningites crônicas (fúngicas, virais atípicas), neurocisticercose, sarcoidose, e até mesmo algumas neoplasias. A história clínica detalhada, exames de imagem e culturas específicas são cruciais para a diferenciação.
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