Meningite Tuberculosa: Diagnóstico e Achados Liquóricos

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino, 4m, com história de febre há nove dias e prostração há quatro dias. Exame físico: sonolento, boa perfusão periférica, cardiopulmonar sem alterações, paralisia de VI par craniano à direita. Tomografia computadorizada de crânio: hidrocefalia moderada e intensificação do contraste na base do crânio. Liquor: Leucócitos = 450/mm3 (linfócitos = 79%, neutrófilos = 21%), proteína = 578 mg/dL, glicose = 10 mg/dL. Glicemia = 93 mg/dL. O agente etiológico envolvido nessa situação clinica é:

Alternativas

  1. A) S. pneumoniae.
  2. B) S. aureus.
  3. C) M. tuberculosis.
  4. D) E. coli.

Pérola Clínica

Febre subaguda + paralisia de par craniano + líquor (linfomonocitário, glicose ↓↓, proteína ↑↑) = TB.

Resumo-Chave

A meningite tuberculosa apresenta curso subagudo, predileção pela base do crânio (causando paralisias de pares cranianos) e líquor com hipoglicorraquia acentuada e hiperproteinorraquia.

Contexto Educacional

A meningoencefalite tuberculosa é a forma mais grave de tuberculose extrapulmonar, especialmente em crianças não vacinadas com BCG. A fisiopatologia envolve a ruptura de um foco subependimário (foco de Rich) no espaço subaracnoideo. O quadro clínico é dividido em estágios: o primeiro com sintomas inespecíficos, o segundo com sinais meníngeos e paralisias de pares cranianos, e o terceiro com coma e decerebração. O diagnóstico precoce é crucial, pois a mortalidade e as sequelas neurológicas são elevadas se o tratamento com o esquema básico (RIPE) e corticosteroides for retardado.

Perguntas Frequentes

Quais os achados típicos do líquor na meningite por TB?

O líquor na meningite tuberculosa caracteriza-se por pleocitose moderada (geralmente entre 100-500 células/mm³), com predomínio de linfomononucleares (embora possa haver neutrófilos no início), hiperproteinorraquia importante (frequentemente > 100 mg/dL) e hipoglicorraquia acentuada (muitas vezes < 40 mg/dL).

Por que ocorre paralisia de pares cranianos na neurotuberculose?

A Mycobacterium tuberculosis induz uma resposta inflamatória intensa que gera um exsudato espesso e gelatinoso com predileção pelas cisternas da base do crânio. Esse exsudato comprime e inflama os nervos cranianos que emergem nessa região, sendo o VI par (abducente) frequentemente afetado.

Qual o papel da neuroimagem no diagnóstico da meningite tuberculosa?

A tomografia ou ressonância magnética são fundamentais para identificar complicações como hidrocefalia (comum pela obstrução da circulação liquórica) e o padrão de realce leptomeníngeo basal após contraste, que é altamente sugestivo de tuberculose no contexto clínico adequado.

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