Meningoencefalite Herpética Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Pré-escolar de 1 ano e 8 meses é levado à emergência devido a tremores e incapacidade de deambular. Os responsáveis referem quadro febril baixo e diarreia semilíquida, sem sangue ou pus, há uma semana. Há 24 horas, iniciou sintomatologia de dismetria e ataxia. Ao exame físico, o paciente encontra-se em regular estado geral, algo irritado, anictérico, acianótico, hidratado, corado, com boa perfusão. Apresenta rash micropapular principalmente em face e tronco. Exame neurológico evidencia dismetria e ataxia, com discreta rigidez nucal. Restante do exame físico normal. Ressonância nuclear magnética de crânio revela discretas alterações em lobos temporais. Punção lombar apresenta moderado número de mononucleares e polimorfonucleares, além de número moderado de eritrócitos, proteína discretamente aumentada e glicose normal. O diagnóstico mais provável para o caso é:

Alternativas

  1. A) síndrome de Guillain-Barré
  2. B) meningoencefalite herpética
  3. C) meningoencefalite por Haemophilus 
  4. D) síndrome miastênica de Lambert-Eaton

Pérola Clínica

Criança com febre, diarreia prévia, ataxia, dismetria, rigidez nucal, rash, LCR com eritrócitos e RNM temporal → meningoencefalite herpética.

Resumo-Chave

A meningoencefalite herpética em crianças pode apresentar-se com sintomas neurológicos variados, febre e rash. A presença de eritrócitos no LCR e alterações nos lobos temporais na RNM são achados altamente sugestivos, mesmo com pleocitose mista.

Contexto Educacional

A meningoencefalite herpética é uma infecção grave do sistema nervoso central causada pelo vírus Herpes Simples (HSV), mais comumente o HSV-1. Em crianças, pode ser particularmente devastadora, com alta morbidade e mortalidade se não tratada precocemente. A doença pode se manifestar com febre, alterações do comportamento, convulsões e déficits neurológicos focais. O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas iniciais, mas a suspeita clínica é fundamental. A presença de eritrócitos no líquido cefalorraquidiano (LCR), juntamente com pleocitose e aumento de proteínas, é um forte indício. A ressonância magnética (RNM) de crânio, que pode mostrar alterações nos lobos temporais, é um exame complementar valioso. O tratamento deve ser iniciado empiricamente com aciclovir intravenoso o mais rápido possível, mesmo antes da confirmação laboratorial por PCR para HSV no LCR, devido à urgência da condição. A meningoencefalite herpética é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e tratamento agressivo para minimizar as sequelas neurológicas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no LCR de um paciente com meningoencefalite herpética?

No LCR, a meningoencefalite herpética tipicamente apresenta pleocitose linfocítica (mas pode ser mista ou neutrofílica no início), proteína discretamente aumentada, glicose normal e, um achado muito sugestivo, a presença de eritrócitos, devido à natureza hemorrágica das lesões cerebrais causadas pelo vírus.

Por que as alterações na ressonância magnética são importantes para o diagnóstico de meningoencefalite herpética?

A ressonância magnética de crânio é crucial, pois pode revelar alterações características, como edema e hipersinal em T2/FLAIR, principalmente nos lobos temporais (unilateral ou bilateralmente), insula e córtex orbitofrontal, que são áreas tipicamente afetadas pelo HSV.

Quais são os sintomas neurológicos mais comuns na meningoencefalite herpética em crianças?

Os sintomas neurológicos podem incluir febre, cefaleia, alteração do nível de consciência, convulsões, déficits focais (como hemiparesia), afasia, dismetria e ataxia, como no caso apresentado. A rigidez de nuca pode estar presente se houver envolvimento meníngeo.

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