Meningoencefalite Aguda: Manejo de Urgência e Terapia Empírica

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 27 anos, usuário de maconha e sem outros antecedentes mórbidos, foi levado pela mãe ao pronto atendimento, com história de alteração comportamental, agitação e agressividade. A mãe nega que o filho tenha feito uso de substâncias ilícitas no dia. Exame físico: paciente agitado, discurso desconexo, FC = 100 bpm, FR = 22 ipm, T = 39,7° C, PA = 100 x 60 mmHg e presença de múltiplas petéquias em membros inferiores. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Administrar benzodiazepínicos, colher hemoculturas e introduzir ceftriaxona 2 g/dia.
  2. B) Acalmar o paciente, colher sorologias, líquor e introduzir penicilina cristalina.
  3. C) Administrar antipsicótico e realizar ressonância de crânio.
  4. D) Acalmar o paciente, realizar ecocardiograma e tomografia de crânio.
  5. E) Administrar antipsicótico, realizar tomografia, líquor e iniciar ceftriaxona 4 g/dia e aciclovir.

Pérola Clínica

Febre, agitação, petéquias → Suspeita de meningoencefalite grave. Iniciar ATB + antiviral + TC + LCR.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre alta, agitação, alteração comportamental e petéquias em um paciente jovem sugere uma infecção grave do sistema nervoso central, como meningoencefalite bacteriana (especialmente meningococcemia) ou viral. A conduta inicial deve ser agressiva, com estabilização, exames de imagem, coleta de líquor e início de terapia empírica de amplo espectro.

Contexto Educacional

A meningoencefalite aguda é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar morbidade e mortalidade significativas. O quadro clínico pode variar, mas a presença de febre, alteração do estado mental, agitação e, notavelmente, petéquias, deve levantar forte suspeita de uma infecção bacteriana grave, como a meningococcemia, ou uma encefalite viral. A etiologia é diversa, incluindo bactérias (Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae) e vírus (Herpes simplex, enterovírus, arbovírus). O diagnóstico diferencial é amplo, mas a combinação de febre e petéquias é altamente sugestiva de meningococcemia, uma condição com alta letalidade. A avaliação inicial deve incluir exame físico completo, com atenção aos sinais neurológicos e cutâneos. Exames complementares essenciais são hemoculturas, tomografia de crânio (para descartar lesões com efeito de massa antes da punção lombar) e análise do líquor. A punção lombar é fundamental para identificar o agente etiológico, mas não deve atrasar o início do tratamento empírico. A conduta terapêutica deve ser agressiva e empírica, cobrindo os patógenos mais prováveis. Para meningoencefalite bacteriana, a ceftriaxona (em doses elevadas, como 4 g/dia para adultos) é uma escolha comum, muitas vezes associada à vancomicina para cobertura de pneumococos resistentes. Além disso, o aciclovir deve ser iniciado empiricamente para cobrir a encefalite por HSV, devido à sua gravidade e tratabilidade. O controle da agitação com benzodiazepínicos ou antipsicóticos é importante para a segurança do paciente e da equipe.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para meningoencefalite grave?

Sinais de alerta para meningoencefalite grave incluem febre alta, alteração do nível de consciência, agitação psicomotora, sinais meníngeos (rigidez de nuca), convulsões, déficits neurológicos focais e, especialmente, a presença de petéquias ou púrpura, que sugerem meningococcemia.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de meningoencefalite e petéquias?

A conduta inicial envolve estabilização do paciente, controle da agitação (benzodiazepínicos ou antipsicóticos), coleta de hemoculturas, realização de tomografia de crânio (para excluir contraindicações à punção lombar), punção lombar para análise do líquor e início imediato de antibioticoterapia empírica (ex: ceftriaxona) e antiviral (ex: aciclovir).

Por que é importante iniciar aciclovir na suspeita de meningoencefalite?

O aciclovir é crucial na terapia empírica da meningoencefalite porque o vírus Herpes simplex (HSV) é uma causa comum de encefalite grave e tratável, e o atraso no tratamento pode levar a sequelas neurológicas permanentes ou morte.

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