Meningoencefalite Pediátrica: Diagnóstico e Conduta

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Uma criança do sexo feminino, 4 anos, é levada ao pronto atendimento com história de febre há 48 horas, de até 38,8 ºC. Nas últimas 12 horas, os pais referem alteração do comportamento, incluindo episódios de confusão mental, irritabilidade e sonolência progressiva. Durante a avaliação na sala de emergência, a paciente apresentou pico febril e crise convulsiva focal, com necessidade de midazolam e fenitoína intravenosos para controle de crise. Após estabilização, foram solicitados exames complementares. Considerando o quadro clínico descrito, assinale a alternativa que apresenta as hipóteses diagnósticas mais prováveis.

Alternativas

  1. A) Meningoencefalite e convulsão febril complexa.
  2. B) Meningite bacteriana e convulsão febril complexa.
  3. C) Meningoencefalite e crise convulsiva sintomática aguda.
  4. D) Meningite bacteriana e crise convulsiva sintomática aguda.

Pérola Clínica

Febre + Alteração de consciência + Crise focal = Meningoencefalite (não é convulsão febril).

Resumo-Chave

A presença de sinais de disfunção parenquimatosa (confusão, sonolência) e crises focais direciona o diagnóstico para meningoencefalite, diferenciando-a da meningite isolada ou convulsão febril simples.

Contexto Educacional

A meningoencefalite na infância é uma emergência neurológica que exige alto índice de suspeição. A tríade de febre, cefaleia e alteração do nível de consciência é clássica, mas em crianças pequenas os sinais podem ser sutis, como irritabilidade e recusa alimentar. A crise convulsiva sintomática aguda ocorre no contexto de uma agressão cerebral aguda (infecciosa, metabólica ou traumática). Diferenciar de uma convulsão febril é vital, pois esta última é benigna e não requer tratamento crônico ou investigação invasiva, enquanto a meningoencefalite possui alta morbimortalidade e risco de sequelas neurológicas permanentes se não tratada agressivamente.

Perguntas Frequentes

O que diferencia meningoencefalite de meningite?

A meningite caracteriza-se pela inflamação das leptomeninges, manifestando-se com febre, cefaleia e sinais de irritação meníngea (Rigidez de nuca, Brudzinski, Kernig). Já a meningoencefalite envolve o parênquima cerebral, o que se traduz clinicamente por alteração do estado mental (confusão, irritabilidade, letargia), déficits neurológicos focais ou crises convulsivas focais. A presença de disfunção cerebral é o marco diferencial da encefalite.

Por que este caso não é uma convulsão febril complexa?

Embora a convulsão febril complexa possa ser focal ou prolongada, ela ocorre em crianças previamente hígidas sem evidência de infecção intracraniana ou causa definida. No caso descrito, a criança apresenta alteração persistente do comportamento (confusão, sonolência) nas 12 horas que antecederam a crise, o que indica um processo inflamatório/infeccioso em curso no parênquima cerebral (encefalite), invalidando o diagnóstico de convulsão febril.

Qual a conduta imediata na suspeita de meningoencefalite?

A prioridade é a estabilização clínica (ABC), controle da crise convulsiva (benzodiazepínicos e fenitoína/levetiracetam) e início precoce da terapia empírica. Isso geralmente inclui antibióticos de amplo espectro para meningite bacteriana e aciclovir intravenoso para cobrir encefalite herpética (HSV-1/2), enquanto se aguarda a realização de neuroimagem (TC ou RM) e punção lombar para análise do líquor e PCR viral.

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