UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Adolescente, 11 anos de idade, com quadro de febre, cefaleia e mialgia desde ontem à noite. Há uma hora, iniciou um rash cutâneo não pruriginoso, dor abdominal, vômitos e prostração. Pais referem que o adolescente estava em uma colônia de férias até 10 dias atrás. Vacinação em dia. Mãe refere que o irmão mais velho teve dengue na semana passada. Ao exame, mau estado geral, sonolento, FC 134 bpm, FR 28 irpm; PA 130x60mmHg. Ausculta cardiopulmonar normal. Sem sinais meníngeos. Presença de sufusões hemorrágicas em tronco, membros superiores e coxa. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta?
Rash petequial/purpúrico + febre + prostração em criança = suspeitar meningococemia, iniciar ATB e suporte volêmico urgente.
A meningococemia é uma emergência médica que se manifesta com sepse grave e rash cutâneo característico (petéquias e púrpuras). A rápida identificação dos sinais de choque e a instituição imediata de antibioticoterapia empírica (ceftriaxone) e suporte hemodinâmico (expansão volêmica) são cruciais para a sobrevida.
A meningococemia é uma forma grave e potencialmente fatal de doença invasiva por Neisseria meningitidis, caracterizada por sepse e, frequentemente, meningite. É uma emergência pediátrica que requer reconhecimento e tratamento imediatos devido à sua rápida progressão e alta mortalidade. A epidemiologia envolve surtos em comunidades fechadas, como colônias de férias, e a transmissão ocorre por gotículas respiratórias. A fisiopatologia envolve a liberação de endotoxinas bacterianas, que desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica maciça, levando a disfunção endotelial, coagulopatia intravascular disseminada (CIVD) e choque séptico. O quadro clínico é caracterizado por febre, prostração, cefaleia, mialgia, dor abdominal e, classicamente, um rash cutâneo petequial ou purpúrico que não desaparece à digitopressão. Sinais de choque, como taquicardia, hipotensão e tempo de enchimento capilar prolongado, indicam gravidade. O tratamento é uma corrida contra o tempo. A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica com expansão volêmica agressiva (ringer lactato ou soro fisiológico 20 mL/kg em bolus, repetido se necessário) e antibioticoterapia empírica imediata com ceftriaxone intravenoso (ou cefotaxima), mesmo antes da punção liquórica, especialmente se houver sinais de choque. A internação em CTI é mandatória. A profilaxia dos contatos próximos com rifampicina ou ciprofloxacino também é crucial.
Sinais de alerta incluem febre alta, cefaleia intensa, mialgia, prostração, vômitos e, crucialmente, o aparecimento de rash cutâneo não pruriginoso que evolui para petéquias e púrpuras. Sinais de choque, como taquicardia e hipotensão, indicam gravidade.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica com expansão volêmica agressiva (ringer lactato ou soro fisiológico 20 mL/kg em bolus, repetido se necessário) e o início imediato de antibioticoterapia empírica, preferencialmente com ceftriaxone intravenoso, antes mesmo da confirmação diagnóstica ou punção liquórica, se houver sinais de choque.
Ambas podem cursar com febre, prostração e manifestações hemorrágicas. No entanto, a meningococemia tende a ter uma evolução mais fulminante, com rash petequial/purpúrico rapidamente progressivo e sinais de choque séptico. A dengue grave pode ter sangramentos, mas o rash típico é diferente e o choque é hipovolêmico por extravasamento plasmático.
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