UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Você está na UBS quando chega um pré-escolar de 5 anos, com cefaleia há cerca de 8 horas, febre, dor em membros inferiores, vômitos (4x) e com alteração do sensório há cerca de uma hora. Mãe relata que o irmão do paciente está internado com dengue. Vacinação em dia. Ao exame, apresenta-se em mal estado geral, exantema generalizado e algumas petéquias em tronco e membros superiores. FC 158 bpm, FR 48 irpm, TEC 6 segundos, PA 90 x 62 mmHg. Glasgow 13, sem sinais meníngeos. Neste caso, trata-se de:
Pré-escolar com febre, exantema petequial, choque e alteração sensório → Meningococcemia: expansão volêmica + ATB imediato.
O quadro clínico de febre, exantema petequial/purpúrico, sinais de choque (TEC prolongado, taquicardia, hipotensão) e alteração do sensório em criança é altamente sugestivo de meningococcemia, uma emergência médica. A conduta inicial deve ser agressiva com expansão volêmica e antibioticoterapia empírica de largo espectro, como ceftriaxona, antes mesmo da confirmação diagnóstica.
A meningococcemia é uma forma grave e fulminante de doença invasiva por Neisseria meningitidis, caracterizada por sepse e, frequentemente, meningite. É uma emergência pediátrica com alta morbimortalidade, especialmente se o tratamento for atrasado. A epidemiologia mostra que crianças pequenas são um grupo de risco devido à imaturidade do sistema imunológico. A rápida identificação e intervenção são cruciais para o prognóstico. A fisiopatologia envolve a liberação de endotoxinas bacterianas que desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica maciça, levando a vasculite, coagulação intravascular disseminada (CIVD) e choque séptico. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de febre, exantema petequial/purpúrico e sinais de choque, mesmo sem rigidez de nuca. A história de contato com caso confirmado ou surto é um dado importante. O tratamento é uma corrida contra o tempo. Inclui ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides (10-20 mL/kg em bolus), antibioticoterapia empírica imediata com ceftriaxona (ou cefotaxima) em dose de ataque, e suporte em unidade de terapia intensiva. A profilaxia dos contatos próximos com rifampicina ou ciprofloxacino também é fundamental para conter a disseminação da doença.
Sinais de alerta incluem febre alta, exantema petequial ou purpúrico de progressão rápida, alteração do sensório, irritabilidade, letargia, e sinais de choque como taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado e hipotensão.
A conduta inicial é uma emergência: estabilização hemodinâmica com expansão volêmica agressiva (cristaloides 10-20 mL/kg), coleta de exames (hemocultura, líquor se possível) e administração imediata de antibióticos parenterais de largo espectro, como ceftriaxona.
A meningococcemia se diferencia pela rápida progressão do exantema petequial/purpúrico, sinais de choque e deterioração do estado geral, mesmo na ausência de sinais meníngeos. Outras infecções virais geralmente têm um curso mais brando e exantemas maculopapulares.
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