FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022
Criança, 8 anos, sexo masculino, com história de febre há 2 dias e letargia. Hoje foi trazida à emergência, pelos familiares, pois não acordava e estava confusa. Ao exame físico, apresenta frequência respiratória de 8 ipm, FC = 58 bat/min, temperatura axilar = 41,2 ºC. Apresentava alteração do estado consciência, escore de Glasgow igual a 5, rigidez de nuca e a presença de exantema petequial no tronco. Qual dos seguintes procedimentos é mais adequado a esse paciente?
Criança com alteração consciência (Glasgow 5), sinais meníngeos e petéquias → Choque séptico/Meningococcemia grave → Prioridade: estabilização via aérea (intubação).
Uma criança com rebaixamento grave do nível de consciência (Glasgow 5), sinais de sepse (febre, letargia, taquicardia/bradicardia, hipotensão) e sinais meníngeos com exantema petequial sugere meningococcemia grave com choque. A prioridade é a estabilização da via aérea e ventilação para proteger o cérebro e garantir oxigenação, antes de outros procedimentos diagnósticos.
A meningococcemia é uma forma grave de doença invasiva por Neisseria meningitidis, caracterizada por sepse fulminante e, frequentemente, meningite. Em crianças, a apresentação pode ser rápida e devastadora, com alta morbimortalidade. A identificação precoce e o manejo agressivo são cruciais para a sobrevida. A apresentação clínica da meningococcemia grave inclui febre alta, letargia, irritabilidade, vômitos e, classicamente, um exantema petequial ou purpúrico que não desaparece à digitopressão. Sinais de choque séptico, como hipotensão, taquicardia (ou bradicardia em casos graves), tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do estado de consciência (como um Glasgow de 5), indicam gravidade extrema e iminência de falência de múltiplos órgãos. A rigidez de nuca sugere envolvimento meníngeo. O manejo inicial de uma criança com meningococcemia grave e rebaixamento de consciência deve seguir os princípios do ABCDE do trauma/emergência pediátrica. A prioridade absoluta é a estabilização da via aérea e ventilação, frequentemente exigindo intubação orotraqueal para proteger a via aérea, garantir oxigenação e ventilação adequadas e prevenir lesão cerebral secundária. Após a estabilização, a antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ex: ceftriaxona) deve ser iniciada imediatamente após a coleta de hemoculturas, sem atrasar o tratamento para a realização de punção lombar ou tomografia de crânio em pacientes instáveis. O suporte hemodinâmico com fluidos e vasopressores também é fundamental.
Sinais de meningococcemia grave incluem febre alta, letargia, alteração do estado de consciência (Glasgow baixo), rigidez de nuca, exantema petequial ou purpúrico, e sinais de choque como hipotensão, taquicardia ou bradicardia.
A intubação é prioritária para proteger a via aérea em pacientes com rebaixamento grave do nível de consciência (Glasgow ≤ 8), prevenir aspiração, garantir ventilação adequada e otimizar a oxigenação cerebral, fundamental em quadros de sepse e choque.
A punção lombar deve ser adiada se houver sinais de instabilidade hemodinâmica, rebaixamento grave da consciência, sinais de herniação cerebral iminente ou coagulopatia grave. Nesses casos, a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a coleta de hemoculturas.
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