Meningococcemia e Sepse: Diagnóstico e Manejo Inicial

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 37 anos dá entrada no Pronto Atendimento pela segunda vez naquele dia, após apresentar quadro febril recente, sendo descartada dengue e encaminhado para casa. Relatava também leve cefaleia e prostração. Deu entrada na ambulância pois apresentava-se sonolento, com sinais vitais FC 123 bpm, FR 24 ipm, Sat 92% ar ambiente, Temperatura axilar 39,1°C, PA 90 x 45 mmHg. Ausculta cardíaca, pulmonar e abdome sem alterações, Glasgow 12, sinais meníngeos ausentes. Nota-se petéquias e sufusões hemorrágicas em membros inferiores e coxas, além de livedo reticular discreto. Diante do quadro exposto, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Uma hipótese diagnóstica do paciente é sepse grave; deve ser realizada expansão volêmica e coleta de lactato.
  2. B) Uma hipótese diagnóstica do paciente é sepse; deve ser encaminhado para isolamento respiratório, realizada a prescrição de Ceftriaxona 2g imediato após coleta de hemoculturas e lactato, além da expansão volêmica.
  3. C) Uma hipótese diagnóstica do paciente é meningococcemia; deve ser realizada punção liquórica e coleta de culturas para a prescrição de Ceftriaxona 2g.
  4. D) Uma hipótese diagnóstica do paciente é choque séptico; deve ser iniciada norepinefrina em bomba de infusão contínua.

Pérola Clínica

Sepse com petéquias/sufusões + choque → Meningococcemia = ATB imediato (Ceftriaxona), fluidos, isolamento.

Resumo-Chave

O quadro clínico com febre, hipotensão, rebaixamento do nível de consciência e lesões cutâneas hemorrágicas (petéquias, sufusões, livedo reticular) é altamente sugestivo de meningococcemia, uma forma grave de sepse. A conduta inicial deve ser agressiva e imediata, com antibioticoterapia de amplo espectro (Ceftriaxona é a escolha para meningococo), expansão volêmica e coleta de culturas, sem atrasar o tratamento.

Contexto Educacional

A meningococcemia é uma forma grave de sepse causada pela bactéria Neisseria meningitidis, caracterizada por rápida progressão e alta letalidade se não tratada prontamente. É uma emergência médica que exige reconhecimento imediato e intervenção agressiva. A epidemiologia da doença varia, mas surtos podem ocorrer em comunidades fechadas. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre, prostração, sinais de disfunção orgânica (como hipotensão, taquicardia, taquipneia, rebaixamento do nível de consciência) e, classicamente, lesões cutâneas hemorrágicas (petéquias, púrpuras, sufusões) que não desaparecem à digitopressão. O livedo reticular também é um sinal de má perfusão. A ausência de sinais meníngeos clássicos não exclui o diagnóstico, pois a doença pode se manifestar primariamente como sepse sem meningite evidente. O tratamento é uma corrida contra o tempo. Inclui suporte hemodinâmico com expansão volêmica para combater o choque, coleta de culturas (hemoculturas) para identificação do patógeno e antibiograma, e administração imediata de antibióticos parenterais de amplo espectro, como a Ceftriaxona, que tem excelente penetração no sistema nervoso central e cobertura para o meningococo. O isolamento respiratório é fundamental para prevenir a transmissão. O prognóstico depende diretamente da rapidez do início do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de meningococcemia grave?

A meningococcemia grave manifesta-se com febre, prostração, cefaleia, rebaixamento do nível de consciência, hipotensão, taquicardia e, classicamente, lesões cutâneas hemorrágicas como petéquias, sufusões e livedo reticular.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de meningococcemia?

A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica com expansão volêmica, coleta de hemoculturas e lactato, e administração imediata de antibióticos de amplo espectro, como Ceftriaxona, além de isolamento respiratório.

Por que a punção liquórica não deve atrasar o tratamento na meningococcemia?

A punção liquórica pode ser adiada ou contraindicada em pacientes com choque ou instabilidade hemodinâmica, ou com sinais de hipertensão intracraniana. O atraso na antibioticoterapia aumenta significativamente a mortalidade na meningococcemia.

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