PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2022
Luiz Antonio, 32 anos, veio encaminhado do Pronto Atendimento da Zona Sul com história de mal-estar, náuseas, vômitos, diarreia e febre alta, fotofobia, com aparecimento recente de manchas por todo o corpo. Os antecedentes indicam que o paciente faz tratamento psiquiátrico com uso de lítio. Nega outras comorbidades. No exame físico, encontrava-se em regular estado geral, desidratado, FC 140 bpm, FR 26 ipm, PA 88/48 mmHg, temperatura axilar 38,5ºC. Presença de lesões purpúricas disseminadas. Você suspeitou de choque séptico e internou o Luiz na UTI, iniciando a reposição volêmica.a) Qual o principal exame para confirmar sua suspeita diagnóstica? b) Você indicou o início imediato de antibiótico beta-lactâmico após a coleta dos exames. Qual antibiótico você prescreveu?c) Na internação, a creatinina sérica era de 1,5 mg/dL e após 72 horas estava anúrico. Creatinina 4,6 mg/dL, Volume urinário de 100 mL nas últimas 12h. Classifique a lesão renal aguda pelo KDIGO – Kidney Diseases Improving Global Outcomes. Justifique.d) Por quanto tempo você recomendaria o isolamento do Luiz? e) Luiz Antonio evoluiu com necessidade de hemodiálise, coagulação intravascular disseminada, insuficiência respiratória e óbito no 6º dia de internação. Você preencheu a parte I da declaração de óbito da seguinte forma:
Choque séptico com lesões purpúricas → suspeitar meningococcemia grave → iniciar ATB empírico imediato (ceftriaxona).
O quadro clínico de febre alta, fotofobia, lesões purpúricas disseminadas e choque é altamente sugestivo de meningococcemia, uma forma grave de sepse. O tratamento deve ser iniciado rapidamente após a coleta de culturas, com antibióticos de amplo espectro que cubram Neisseria meningitidis.
Meningococcemia é uma infecção grave causada por Neisseria meningitidis, com alta morbimortalidade, especialmente quando evolui para choque séptico e coagulação intravascular disseminada (CIVD). É uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos, dada a rápida progressão e o risco de óbito. O diagnóstico é clínico, baseado em febre alta, lesões purpúricas, fotofobia e sinais de choque. A confirmação é feita por hemocultura ou cultura de líquor, mas a antibioticoterapia não deve ser atrasada. A suspeita deve ser alta em pacientes com rápida deterioração clínica e rash purpúrico. O tratamento inclui suporte hemodinâmico agressivo, reposição volêmica e antibioticoterapia empírica imediata com ceftriaxona ou cefotaxima. O isolamento respiratório por gotículas é crucial até 24 horas após o início do antibiótico eficaz. A classificação da LRA pelo KDIGO auxilia no manejo da disfunção renal, que é uma complicação comum da sepse grave.
A meningococcemia clássica apresenta febre alta, mal-estar, náuseas, vômitos, diarreia, fotofobia e, caracteristicamente, lesões purpúricas disseminadas que podem evoluir para necrose. Em casos graves, há sinais de choque e disfunção de múltiplos órgãos.
Para meningococcemia com choque séptico, o antibiótico de primeira escolha é um beta-lactâmico de terceira geração, como a ceftriaxona ou cefotaxima, administrado por via intravenosa. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a coleta de culturas, sem aguardar resultados.
A lesão renal aguda (LRA) pelo KDIGO é classificada em estágios 1, 2 e 3 com base no aumento da creatinina sérica e/ou na redução do volume urinário. No caso, um aumento de creatinina de 1,5 mg/dL para 4,6 mg/dL (mais de 3 vezes o valor basal) e anúria (volume urinário < 0,3 mL/kg/h por 24h ou anúria por 12h) classificam como LRA estágio 3.
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