FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Às 17h do dia 24/12/2014, dá entrada no pronto socorro a Sra. Maria Helena de 48 anos com queixa de dor abdominal de leve intensidade associada à diarreia sem muco, pus ou sangue, náuseas e uma cefaleia holocrania contínua de intensidade moderada e que se iniciou há 36 horas. Ao exame físico, a paciente se encontrava vigil, orientada e cooperativa. Mucosas coradas, mas com sinais de possível desidratação. Os sinais vitais eram os seguintes: FC: 98bpm, pulsos rítmicos e filiformes, PA: 110x60mmHg, FR: 22irpm, com satO2: 96% (ar ambiente). ACV e AR sem alterações dignas de nota. Abdome atípico, ligeiramente distendido e uma peristalse normal. HPP: HAS há 2 anos, em uso de enalapril 10mg de 12/12h. A médica plantonista fez o diagnóstico de GECA (Gastroenterite), prescreveu ciprofloxacino 250mg de 12/12h, Floratil 1 cápsula de 12/12h, Dipirona 1g para analgesia e orientou a aumentar a ingesta hídrica. Às 00:15min do dia 25/12 à paciente retorna ao pronto- socorro sonolenta, febril (38,3°C), hipotensa (80x40mmHg), Taquicárdica (FC:123bpm), taquipnéica (FR:31irpm), com satO2: 88% em ar ambiente, além de petéquias em MMII. Neste momento, qual seria o provável diagnóstico e conduta inicial para está paciente?
Petéquias + deterioração rápida + sinais de choque → Suspeitar meningococcemia/sepse grave.
A presença de petéquias em um paciente com rápida deterioração clínica e sinais de choque é um forte indicativo de meningococcemia, uma forma grave de sepse que requer reconhecimento e tratamento emergencial com fluidos, oxigênio e antibióticos de amplo espectro, como Ceftriaxone.
A meningococcemia é uma infecção bacteriana invasiva grave causada pela Neisseria meningitidis, com alta morbimortalidade. É crucial para residentes reconhecerem seus sinais e sintomas, que podem progredir rapidamente de um quadro inespecífico para sepse grave e choque séptico. A epidemiologia mostra picos em crianças e adolescentes, mas pode afetar qualquer idade, sendo uma emergência médica. A fisiopatologia envolve a liberação de endotoxinas que desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica maciça, levando a disfunção endotelial, vasculite e coagulação intravascular disseminada (CIVD), manifestada por petéquias e púrpura. O diagnóstico é clínico, baseado na rápida deterioração, febre, sinais de choque e, principalmente, a presença de lesões cutâneas hemorrágicas. A suspeita deve ser alta em pacientes com cefaleia, febre e rigidez de nuca, mesmo que a meningite não seja o quadro inicial predominante. O tratamento é uma emergência e deve ser iniciado imediatamente, mesmo antes da confirmação laboratorial. Inclui ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, oxigênio, coleta de culturas (sangue e líquor, se não houver contraindicação), e administração precoce de antibióticos intravenosos (Ceftriaxone é a escolha empírica). A monitorização contínua e o suporte hemodinâmico são essenciais para melhorar o prognóstico e prevenir complicações como necrose tecidual e insuficiência de múltiplos órgãos.
Os sinais de alerta incluem rápida deterioração clínica, febre alta, hipotensão, taquicardia, taquipneia, e, crucialmente, a presença de petéquias ou púrpura, que indicam coagulação intravascular disseminada.
A conduta inicial envolve hidratação venosa vigorosa com cristaloides (30ml/kg em 10-30 min), oxigênio suplementar, coleta de culturas (sangue, líquor se possível), e administração imediata de antibióticos venosos de amplo espectro, como Ceftriaxone.
As petéquias são um sinal de vasculite e coagulação intravascular disseminada (CIVD), uma complicação grave da meningococcemia. Sua presença indica uma infecção bacteriana invasiva e sistêmica, exigindo tratamento emergencial.
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