AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023
Pré-escolar de 2 anos é trazido à consulta no pronto-socorro em estado pós-ictal de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, duração breve, primeiro episódio, sem história familiar de epilepsia. História rápida coletada com familiares evidencia febre alta não aferida há 24h e cefaleia importante há 18h, estado vacinal desatualizado para vacinas bacterianas encapsuladas. Ao exame, presença de sinal de Kernig e Brudzinski, hipotenso, tempo de enchimento capilar de 1,5 segundos e lesões purpúricas em tronco e membros. Sobre esse caso, são feitas as seguintes considerações:I. O germe mais prevalente associado ao quadro é Neisseria meningitidis, bactéria encapsulada imunoprevenível.II. É comum os seguintes achados no exame do líquido cefalorraquidiano deste paciente: pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia, hipoproteinorraquia e bacterioscopia com diplococos grampositivos.III. A hipótese diagnóstica inicial é de meningococcemia com meningite, doença imunoprevenível de mortalidade associada principalmente à coagulação intravascular disseminada. Quais estão corretas?
Pré-escolar febril, com sinais meníngeos, hipotensão e lesões purpúricas → emergência, suspeitar meningococcemia/meningite.
Um pré-escolar com febre alta, cefaleia, sinais meníngeos, hipotensão e lesões purpúricas, especialmente com vacinação desatualizada, sugere fortemente meningococcemia com meningite, uma emergência médica causada por *Neisseria meningitidis* com alto risco de CIVD.
A meningococcemia é uma infecção sistêmica grave causada pela bactéria *Neisseria meningitidis*, que pode evoluir para meningite (inflamação das meninges) e choque séptico. É uma emergência médica com alta morbimortalidade, especialmente em crianças e adolescentes, e é imunoprevenível por vacinação. A rápida identificação e tratamento são cruciais para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia envolve a disseminação bacteriana pela corrente sanguínea, levando a uma resposta inflamatória sistêmica intensa, vasculite e coagulação intravascular disseminada (CIVD), que se manifesta clinicamente por lesões purpúricas e choque. Os sinais meníngeos (Kernig, Brudzinski) indicam envolvimento do sistema nervoso central. A vacinação desatualizada é um fator de risco importante. O diagnóstico é clínico, laboratorial (hemocultura, LCR) e de imagem. O LCR na meningite bacteriana tipicamente mostra pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. O tratamento é uma emergência, com antibióticos intravenosos de amplo espectro (ex: ceftriaxona) e suporte intensivo para o choque e CIVD, incluindo reposição volêmica e, se necessário, vasopressores.
A meningococcemia pode apresentar febre alta, mal-estar, mialgia, cefaleia e, classicamente, lesões cutâneas purpúricas ou petequiais que não desaparecem à digitopressão. Em casos graves, pode evoluir para choque séptico, hipotensão e sinais de CIVD.
Na meningite bacteriana, o líquido cefalorraquidiano (LCR) tipicamente apresenta pleocitose neutrofílica (>1000 células/mm³), hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica) e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL), além de bacterioscopia e cultura positivas.
As principais complicações da meningococcemia incluem choque séptico, coagulação intravascular disseminada (CIVD), insuficiência adrenal (Síndrome de Waterhouse-Friderichsen), necrose de extremidades, sequelas neurológicas permanentes (surdez, convulsões) e alta mortalidade.
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