Meningite Viral: Diagnóstico e Análise do LCR

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 5 anos da entrada na UPA com quadro de febre, cefaleia e vômitos há 02 dias. Você faz o exame, percebe estado febril, com rigidez de nuca. Assim decide colher o liquor que vem 180 leucócitos (30% neutrófilos, 60% linfócitos, 10% monócitos), 20 hemácias, proteína = 60 mg%, glicose = 70 mg%. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Erro de punção
  2. B) Encefalite herpética
  3. C) Meningite viral
  4. D) Meningite bacteriana

Pérola Clínica

Meningite viral → LCR com pleocitose linfocitária, glicose normal, proteína levemente elevada.

Resumo-Chave

O perfil do líquor (LCR) com pleocitose predominantemente linfocitária, glicose normal e proteína levemente elevada é altamente sugestivo de meningite viral. A presença de neutrófilos em menor proporção é comum no início da meningite viral, mas a predominância linfocitária se estabelece rapidamente.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das meninges que pode ser causada por diversos agentes, sendo os vírus os mais comuns em crianças. A apresentação clínica inicial de febre, cefaleia e vômitos, associada à rigidez de nuca, é comum tanto em meningites virais quanto bacterianas, tornando a análise do líquor (LCR) crucial para o diagnóstico diferencial e a conduta terapêutica. Na meningite viral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfócitos (geralmente > 50%), glicose normal (refletindo um metabolismo não alterado pelo patógeno) e proteínas normais ou levemente elevadas (geralmente < 100 mg/dL). A presença de hemácias em pequena quantidade pode ser devido a um erro de punção, mas não invalida o perfil viral se os outros parâmetros forem consistentes. É importante ressaltar que, nas fases iniciais da meningite viral, pode haver um predomínio de neutrófilos, o que pode gerar confusão com a meningite bacteriana. Para residentes, a interpretação correta do LCR é uma habilidade essencial. A distinção entre meningite viral e bacteriana é crítica, pois a conduta (antibioticoterapia empírica, internação) difere significativamente. O conhecimento dos padrões do LCR permite evitar tratamentos desnecessários e direcionar o manejo adequado, garantindo a segurança do paciente e otimizando os recursos de saúde.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do LCR na meningite viral?

Na meningite viral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfócitos, glicose normal (ou > 40 mg/dL e relação LCR/sérica > 0,6) e proteínas normais ou levemente elevadas (< 100 mg/dL).

Como diferenciar meningite viral de bacteriana pelo LCR?

A meningite bacteriana geralmente cursa com pleocitose neutrofílica (> 80% neutrófilos), glicose baixa (< 40 mg/dL e relação LCR/sérica < 0,4) e proteínas muito elevadas (> 100 mg/dL).

A presença de neutrófilos no LCR exclui meningite viral?

Não. No início da meningite viral, especialmente nas primeiras 24-48 horas, pode haver um predomínio transitório de neutrófilos no LCR. No entanto, a evolução para pleocitose linfocitária é a regra.

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