Análise do LCR na Meningite Viral em Pediatria

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma criança de 3 anos de idade foi atendida em Unidade de Pronto Atendimento com febre de 39°C, irritabilidade, vômitos, sonolência e extremidades frias. Mesmo sem sinais de irritação meníngea ou sepse, existe a suspeita de meningite. Para confirmá-la, o médico realizou punção lombar e solicitou a análise do líquido céfalo-raquidiano (LCR). Que achado do LCR é indicativo de meningite viral?

Alternativas

  1. A) Aspecto turvo.
  2. B) Glicose baixa.
  3. C) Proteína alta.
  4. D) Número baixo de células.
  5. E) Número elevado de linfócitos.

Pérola Clínica

Meningite viral → LCR com glicose normal, proteínas levemente ↑ e pleocitose linfocítica (contagem celular menor que bacteriana).

Resumo-Chave

O diagnóstico diferencial das meningites pelo LCR baseia-se na celularidade, glicorraquia e proteinorraquia; quadros virais tipicamente apresentam menor celularidade que os bacterianos.

Contexto Educacional

A meningite viral é a causa mais comum de inflamação meníngea em crianças, frequentemente causada por enterovírus. O quadro clínico costuma ser mais benigno que a forma bacteriana, mas a distinção inicial pode ser difícil, exigindo a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). A análise bioquímica e citológica do LCR é a ferramenta diagnóstica fundamental. Tipicamente, o LCR viral apresenta uma pleocitose linfocítica. No entanto, nas primeiras 24 a 48 horas, pode haver um predomínio transitório de neutrófilos, o que exige cautela na interpretação. A glicose normal é um forte preditor de etiologia viral. O tratamento é majoritariamente de suporte, exceto em casos suspeitos de Herpes Simplex, onde o aciclovir deve ser iniciado precocemente.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença do LCR entre meningite viral e bacteriana?

Na meningite bacteriana, o LCR é tipicamente turvo, com pleocitose acentuada (frequentemente >1000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos), glicose baixa (hipoglicorraquia) e proteínas muito elevadas. Na meningite viral, o aspecto é límpido, a celularidade é menor (geralmente <500 células/mm³) com predomínio de linfomononucleares, e a glicose costuma estar normal.

Por que o gabarito indica 'número baixo de células'?

Embora a meningite viral cause um aumento de células (pleocitose), esse aumento é significativamente menor quando comparado à resposta inflamatória explosiva da meningite bacteriana. Em questões de prova, o termo 'número baixo' é frequentemente usado de forma comparativa para direcionar o raciocínio para etiologias não bacterianas ou quadros iniciais/virais.

Quando suspeitar de meningite em crianças pequenas?

Em crianças, os sinais clássicos de irritação meníngea (como rigidez de nuca) podem estar ausentes, especialmente em menores de 18 meses. Deve-se suspeitar em casos de febre alta sem foco, irritabilidade persistente, vômitos em jato, sonolência/letargia e abaulamento de fontanela. A punção lombar é o exame definitivo para confirmação diagnóstica.

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