INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um lactente com 6 meses de idade, previamente hígido, em aleitamento materno, é atendido em um pronto-socorro Infantil com história de febre persistente há dois dias (temperatura axilar de até 38,9°C), acompanhada de irritabilidade e 2 a 3 episódios de vômitos por dia. Foi levado previamente a um serviço de saúde e a mãe foi orientada a oferecer soro de reidratação oral (SRO) e a retornar, caso não houvesse melhora ou piorasse. A mãe informa que a irritabilidade da criança aumentou nas últimas 12 horas, prejudicando a amamentação e a ingestão de líquidos. Nega tosse e diarreia. As vacinas estavam atualizadas. Ao examinar o lactente, o médico observou: bom estado geral e nutricional e irritabilidade ao manuseio. Realizada punção lombar, o resultado do exame do líquor foi: líquido límpido, com 300 células/mm com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal, proteínas levemente aumentadas. Com base no quadro clínico e nos resultados da análise do líquor, a associação diagnóstico-terapêutica correta é:
Líquor límpido + Linfomonocitário + Glicose normal → Meningite Viral (Suporte).
O padrão liquórico com pleocitose linfomonocitária e glicorraquia normal em um lactente com bom estado geral direciona para meningite viral, exigindo suporte hospitalar sem necessidade de antibióticos.
A meningite viral, ou meningite asséptica, é a causa mais comum de inflamação das meninges na infância após a introdução das vacinas conjugadas. Os enterovírus são os principais agentes. O quadro clínico em lactentes pode ser inespecífico, manifestando-se apenas com febre, irritabilidade e vômitos, sem os sinais clássicos de rigidez de nuca. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é o pilar diagnóstico. A presença de 300 células com predomínio linfomonocitário e glicose normal é o 'clássico' viral. O tratamento é eminentemente de suporte (analgésicos, antitérmicos e hidratação). A antibioticoterapia deve ser evitada se o perfil liquórico for claramente viral e o paciente estiver clinicamente estável, evitando o uso desnecessário de fármacos e a resistência bacteriana.
Na meningite bacteriana, o líquor é tipicamente turvo, com pleocitose acentuada (predomínio de neutrófilos), hipoglicorraquia (glicose baixa) e hiperproteinorraquia marcada. Na meningite viral, o líquor costuma ser límpido, com pleocitose leve a moderada (predomínio de linfomononucleares), glicorraquia normal e proteínas normais ou levemente aumentadas. O caso do lactente apresenta exatamente o padrão viral.
Embora a meningite viral seja geralmente autolimitada, lactentes jovens (especialmente abaixo de 6-12 meses) apresentam maior risco de desidratação por vômitos e dificuldade de amamentação devido à irritabilidade. A internação é necessária para hidratação venosa, controle da dor/febre e monitorização neurológica, garantindo que não haja evolução para complicações ou erro diagnóstico inicial.
Diferente da meningite por Neisseria meningitidis ou Haemophilus influenzae (que exigem isolamento de gotículas por 24h de antibioticoterapia), a maioria das meningites virais (frequentemente causadas por enterovírus) exige apenas precauções padrão. O isolamento respiratório ou em UTI não é rotina, a menos que haja instabilidade hemodinâmica ou etiologia específica que o exija.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo