Meningite Viral: Interpretação do Líquor e Diagnóstico

HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente do sexo masculino, 13 anos, é levado à emergência por cefaleia intensa, vômitos em jato há dias e febre (38,5ºC) que não cede com antitérmicos. Exame físico: desidratado, febril, sinais de irritação meníngea, escala de Glasgow de 15. Punção lombar: pleocitose, com 570 células/mm³, 20.000 hemácias/ mm³, com predomínio de linfomononucleares; proteína: 45mg/dL; glicorraquia: 66mg/ dL (glicemia: 90mg/dL). Esse quadro clínico sugere:

Alternativas

  1. A) Meningite viral.
  2. B) Trauma de punção.
  3. C) Meningite bacteriana.
  4. D) Hemorragia subaracnoide.
  5. E) Doenças autoimunes.

Pérola Clínica

Meningite viral = Pleocitose linfomononuclear, glicorraquia normal, proteína normal/levemente ↑, sinais meníngeos.

Resumo-Chave

O quadro clínico de cefaleia, vômitos, febre e sinais de irritação meníngea, associado a um líquor com pleocitose linfomononuclear, glicorraquia normal (relação glicorraquia/glicemia > 0,6) e proteína normal ou levemente elevada, é altamente sugestivo de meningite viral (ou asséptica). A presença de hemácias pode ser decorrente de trauma de punção.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, e pode ser causada por diversos agentes infecciosos, sendo os vírus as causas mais comuns de meningite asséptica. O diagnóstico diferencial entre meningite viral e bacteriana é crucial, pois o manejo e o prognóstico são distintos. A meningite viral, embora geralmente autolimitada e de curso benigno, pode apresentar sintomas como cefaleia intensa, febre, vômitos e sinais de irritação meníngea, como rigidez de nuca. A punção lombar e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) são essenciais para o diagnóstico. Na meningite viral, o LCR tipicamente revela pleocitose com predomínio de linfomononucleares (geralmente entre 50-1000 células/mm³), glicorraquia normal (a relação glicose LCR/glicose sérica é > 0,6) e níveis de proteína normais ou discretamente elevados (< 100 mg/dL). A presença de hemácias, como no caso, pode ser um achado de punção traumática, e a ausência de xantocromia (coloração amarelada do sobrenadante) ajuda a descartar hemorragia subaracnoide. O tratamento da meningite viral é de suporte, com hidratação, analgésicos e antipiréticos. Diferentemente da meningite bacteriana, não requer antibioticoterapia. Para residentes, a capacidade de interpretar corretamente os achados do LCR é uma habilidade fundamental para guiar a conduta clínica, evitar tratamentos desnecessários e identificar rapidamente casos que necessitam de intervenção mais agressiva, como a meningite bacteriana, que é uma emergência médica.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do líquor na meningite viral?

Na meningite viral, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfomononucleares (geralmente < 1000 células/mm³), glicorraquia normal (a relação glicose LCR/glicose sérica é > 0,6) e níveis de proteína normais ou discretamente elevados (< 100 mg/dL).

Como diferenciar meningite viral de bacteriana pelo líquor?

A meningite bacteriana cursa com pleocitose predominantemente neutrofílica (> 80%), glicorraquia muito baixa (< 40 mg/dL ou relação < 0,4) e proteínas muito elevadas (> 100 mg/dL). A viral tem linfomononucleares, glicose normal e proteínas discretamente elevadas.

A presença de hemácias no líquor sempre indica hemorragia subaracnoide?

Não necessariamente. A presença de hemácias pode ser um artefato de punção lombar traumática. Para diferenciar, observe se o líquor clareia em tubos sequenciais e se há xantocromia (coloração amarelada do sobrenadante após centrifugação), que indica sangramento antigo e é mais sugestiva de HSA.

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