Meningite Viral: Diagnóstico e Análise do Líquor

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2021

Enunciado

Adolescente de 14 anos com febre há 2 dias, cefaleia intensa e vômitos. Ao exame apresenta-se orientado, consciente e com Escala de Glasgow de 15. Apresenta sinais de irritação meníngea. Colhido seu líquor que revelou pleocitose com 600 células com com predomínio de linfomononucleares, glicose de 58 mg% (apresentava glicemia de 88mg%), proteínas de 42 mg%. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Meningite viral.
  2. B) Meningite tuberculosa.
  3. C) Meningite meningocócica.
  4. D) Meningite fúngica.

Pérola Clínica

Líquor: pleocitose linfomononuclear + glicose normal + proteínas normais/levemente ↑ → Meningite viral.

Resumo-Chave

O perfil do líquor é chave para diferenciar os tipos de meningite. Na meningite viral, tipicamente observa-se pleocitose com predomínio de linfomononucleares, glicose normal (relação líquor/glicemia > 0,6) e proteínas normais ou levemente elevadas. Este padrão é distinto da meningite bacteriana (neutrofílica, glicose baixa, proteínas altas) e tuberculosa/fúngica (linfomononuclear, glicose muito baixa, proteínas muito altas).

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, sendo uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos. Em adolescentes, a apresentação clínica com febre, cefaleia intensa, vômitos e sinais de irritação meníngea (como rigidez de nuca) é comum a diversos tipos de meningite. A chave para o diagnóstico diferencial reside na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). No caso apresentado, o líquor revela pleocitose com 600 células e predomínio de linfomononucleares, glicose de 58 mg% (com glicemia de 88 mg%, indicando uma relação normal de glicose líquor/sérica > 0,6) e proteínas de 42 mg% (dentro da faixa normal ou levemente elevadas). Este perfil é altamente sugestivo de meningite viral, também conhecida como meningite asséptica. A meningite viral é geralmente autolimitada e tem um prognóstico favorável, sendo os enterovírus os agentes etiológicos mais comuns. É fundamental para residentes e estudantes de medicina dominar a interpretação do LCR para diferenciar a meningite viral de outras etiologias mais graves. A meningite bacteriana, por exemplo, apresenta predomínio de neutrófilos, glicose muito baixa e proteínas muito elevadas. Já a meningite tuberculosa ou fúngica, embora também com predomínio linfomononuclear, cursa com glicose muito baixa e proteínas marcadamente elevadas, além de um curso mais arrastado. O reconhecimento precoce do padrão viral permite evitar tratamentos antibióticos desnecessários e focar no manejo sintomático.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos do líquor na meningite viral?

Na meningite viral, o líquor geralmente apresenta pleocitose com predomínio de linfomononucleares (geralmente entre 100-1000 células/mm³), glicose normal (relação líquor/glicemia > 0,6), e proteínas normais ou levemente elevadas (geralmente < 100 mg/dL).

Como diferenciar a meningite viral da bacteriana pela análise do líquor?

A meningite bacteriana tipicamente mostra pleocitose com predomínio de neutrófilos (> 80%), glicose muito baixa (< 40 mg/dL ou relação líquor/glicemia < 0,4) e proteínas muito elevadas (> 100 mg/dL). A meningite viral, por outro lado, tem linfomononucleares, glicose normal e proteínas normais/levemente elevadas.

Quais são os agentes etiológicos mais comuns da meningite viral em adolescentes?

Os enterovírus são os agentes mais comuns de meningite viral em adolescentes e crianças. Outros vírus incluem arbovírus, vírus da caxumba (em não vacinados), herpesvírus (HSV-2 em adultos, HSV-1 em casos raros), e adenovírus.

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