Meningite Viral: Diagnóstico e Análise do Líquor em Pediatria

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Menina de 5 anos, previamente hígida, dá entrada no pronto-socorro com 2 dias de febre, cefaleia e vômitos. Ao exame físico, está em regular estado geral, febril, com rigidez de nuca. O líquor colhido revelou: 180 leucócitos (30% neutrófilos, 60% linfócitos, 10% monócitos), 20 hemácias, proteína = 60 mg%, glicose = 70 mg%. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Acidente de punção.
  2. B) Encefalite herpética.
  3. C) Meningite bacteriana.
  4. D) Meningite viral.
  5. E) Meningotuberculose.

Pérola Clínica

Meningite viral → líquor com pleocitose linfocitária, glicose normal, proteína levemente elevada.

Resumo-Chave

O perfil do líquor é crucial para diferenciar os tipos de meningite. A presença de pleocitose com predomínio de linfócitos, glicose normal e proteína levemente elevada é altamente sugestiva de meningite viral, especialmente em crianças.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Em crianças, a apresentação clínica pode ser inespecífica, mas a tríade clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca é um sinal de alerta. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico etiológico e para guiar a conduta terapêutica, diferenciando as formas bacterianas, virais e outras. No caso apresentado, o perfil do líquor (180 leucócitos com predomínio linfocitário, glicose normal e proteína levemente elevada) é altamente sugestivo de meningite viral, também conhecida como meningite asséptica. A pleocitose linfocitária indica uma resposta inflamatória predominantemente mononuclear, enquanto a glicose normal e a proteína apenas discretamente elevada afastam a maioria das causas bacterianas e fúngicas, que tipicamente cursam com hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia mais acentuadas. O manejo da meningite viral é geralmente de suporte, pois a maioria dos casos é autolimitada. No entanto, é crucial descartar outras etiologias, especialmente a meningite bacteriana, que requer tratamento antibiótico imediato. A meningotuberculose, embora também cause pleocitose linfocitária, apresenta glicose muito baixa e proteína muito elevada, além de um curso mais insidioso. A encefalite herpética, por sua vez, pode ter achados de líquor semelhantes à viral, mas cursa com alterações neurológicas focais e requer tratamento antiviral específico.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no líquor de uma meningite viral?

Na meningite viral, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfócitos (geralmente > 50%), glicose normal (relação líquor/sangue > 0,6) e proteína levemente elevada (geralmente < 100 mg/dL).

Como diferenciar meningite viral de meningite bacteriana pelo líquor?

A meningite bacteriana cursa com pleocitose neutrofílica (> 80% neutrófilos), glicose muito baixa (< 40 mg/dL ou relação LCR/sangue < 0,4) e proteína muito elevada (> 100 mg/dL), diferente do perfil viral.

Quais são os agentes etiológicos mais comuns da meningite viral em crianças?

Os enterovírus são os agentes mais comuns de meningite viral em crianças, especialmente no verão e outono. Outros vírus incluem arbovírus, vírus da caxumba, herpesvírus e adenovírus.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo