Meningite Viral: Diagnóstico e Análise do LCR

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Sérgio, 13 anos, é levado à emergência por cefaleia intensa, vômitos em jato há dois dias e febre (38,5°C) que não cede com antitérmicos. Exame físico: desidratado, febril, sinais de irritação meníngea, escala de Glasgow de 15. Punção lombar: pleocitose, com 570 células/mm³, 20.000 hemácias/mm³, com predomínio de linfomononucleares; proteína: 45mg/dL; glicorraquia: 66mg/ dL (glicemia: 90mg/dL). Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Meningite viral.
  2. B) Trauma de punção.
  3. C) Meningite bacteriana.
  4. D) Hemorragia subaracnoide.
  5. E) Exames dentro do padrão de normalidade.

Pérola Clínica

Meningite viral → LCR com pleocitose linfomononuclear, glicose normal, proteína levemente ↑, hemácias por trauma de punção.

Resumo-Chave

O quadro clínico de cefaleia, vômitos, febre e sinais de irritação meníngea sugere meningite. A análise do LCR com pleocitose às custas de linfomononucleares, glicorraquia normal (relação glicose LCR/sérica > 0,6) e proteína levemente elevada é altamente sugestiva de meningite viral. As hemácias podem ser explicadas por trauma de punção.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, e pode ser causada por diversos agentes etiológicos, sendo os mais comuns vírus e bactérias. O diagnóstico diferencial entre meningite viral e bacteriana é uma das decisões mais críticas na emergência pediátrica e adulta, pois a conduta e o prognóstico são drasticamente diferentes. O quadro clínico de cefaleia, febre, vômitos e sinais de irritação meníngea é comum a ambos os tipos de meningite. A chave para o diagnóstico reside na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar. Na meningite viral, o LCR tipicamente revela uma pleocitose com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal (pois os vírus não consomem glicose) e proteínas normais ou levemente elevadas. A presença de hemácias, especialmente em número elevado, deve levantar a suspeita de trauma de punção, uma ocorrência comum. Em contraste, a meningite bacteriana apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, glicorraquia baixa (consumo de glicose pelas bactérias) e proteínas significativamente elevadas. Residentes e estudantes devem dominar a interpretação do LCR para guiar o tratamento adequado, que para a meningite viral é geralmente de suporte, enquanto a bacteriana exige antibioticoterapia imediata e agressiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos do LCR na meningite viral?

Na meningite viral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfomononucleares (geralmente < 1000 células/mm³), glicorraquia normal (relação LCR/glicemia > 0,6) e proteínas normais ou levemente elevadas (< 100 mg/dL).

Como diferenciar meningite viral de bacteriana pela análise do LCR?

A meningite bacteriana geralmente apresenta pleocitose mais acentuada com predomínio de neutrófilos, glicorraquia baixa (consumo de glicose pelas bactérias) e proteínas muito elevadas. A meningite viral, por outro lado, tem predomínio linfomononuclear, glicose normal e proteínas menos elevadas.

O que a presença de hemácias no LCR pode indicar?

A presença de hemácias no LCR, especialmente em grande quantidade como 20.000/mm³, pode indicar um trauma de punção lombar, que é uma complicação comum do procedimento. No entanto, em menor quantidade, também pode ser vista em algumas condições como hemorragia subaracnoide ou herpes encefalite.

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