Meningite Viral em Lactentes: Análise do LCR e Diagnóstico

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Um lactente de 9 meses de vida, previamente hígido, apresentou quadro de febre há 2 dias e irritabilidade e inapetência há 24 horas. Exame físico com abaulamento de fontanela anterior. A análise do LCR apresentou os seguintes dados: 300 células/mm³, com 85% de linfócitos; proteína 40 mg/dL; e glicose 48 mg/dl. (glicemia sérica: 70 mg/dl).Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) É sugestivo de meningite viral, sendo o herpes vírus o agente mais comum.
  2. B) É sugestivo de meningite causada pelo Haemophilus influenzae tipo B, sendo necessário iniciar ampicilina.
  3. C) É sugestivo de meningite causado por enterovírus, sendo necessários observação e sintomáticos.
  4. D) É sugestivo de meningite causado pela Neisseria meningitidis, sendo necessário iniciar ceftriaxone.
  5. E) É sugestivo de meningite tuberculosa, sendo necessária a realização de PPD antes de iniciar o tratamento.

Pérola Clínica

LCR com pleocitose linfocitária + glicose e proteína normais em lactente febril → Meningite viral, sendo Enterovírus o agente mais provável.

Resumo-Chave

O padrão do LCR (pleocitose discreta com predomínio de linfócitos, glicose e proteínas normais) é o principal diferenciador. Este perfil afasta as meningites bacterianas (que teriam neutrófilos, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia) e aponta para uma etiologia viral, com enterovírus sendo a mais comum.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das meninges que pode ser causada por diversos agentes infecciosos. Em lactentes, a apresentação clínica é frequentemente inespecífica, com febre, irritabilidade, letargia e recusa alimentar. Sinais mais específicos, como o abaulamento da fontanela anterior e a rigidez de nuca, podem estar presentes. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico etiológico e diferencial. A meningite viral, também chamada de asséptica, é a forma mais comum, sendo os enterovírus os agentes mais prevalentes em crianças. O LCR característico mostra pleocitose (aumento de células) com predomínio de linfócitos, proteinorraquia normal ou discretamente elevada e, crucialmente, glicorraquia normal. Este padrão contrasta fortemente com o da meningite bacteriana, que cursa com pleocitose neutrofílica, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia acentuada. O tratamento da meningite viral é de suporte, com hidratação, controle da febre e analgesia, tendo um curso geralmente benigno e autolimitado. Apesar da alta suspeita de etiologia viral baseada no LCR, a antibioticoterapia empírica é frequentemente iniciada em lactentes jovens até que a meningite bacteriana seja definitivamente descartada por culturas negativas, dada a alta morbimortalidade desta última.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do LCR na meningite viral clássica?

O LCR na meningite viral tipicamente apresenta pleocitose leve a moderada (geralmente <500 células/mm³) com predomínio de linfócitos, glicose normal (relação LCR/sérica > 0,6) e proteínas normais ou levemente elevadas.

Qual a conduta inicial diante de um lactente com suspeita de meningite?

A conduta inicial é sempre considerar a possibilidade de meningite bacteriana devido à sua gravidade. Portanto, após a coleta de LCR e hemoculturas, inicia-se antibioticoterapia empírica. A suspensão do antibiótico ocorre após a confirmação de um quadro viral e culturas negativas.

Como diferenciar o LCR da meningite viral, bacteriana e tuberculosa?

Viral: predomínio linfocitário, glicose e proteína normais. Bacteriana: predomínio neutrofílico, hipoglicorraquia acentuada (relação <0,4), hiperproteinorraquia. Tuberculosa: predomínio linfocitário, hipoglicorraquia muito acentuada e hiperproteinorraquia importante.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo