HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2022
A cefaleia é um sintoma clínico que, por vezes, se torna um desafio diagnóstico. A análise dos dados, forma de manifestação, características dos pacientes são elementos que influenciam a avaliação clínica pré teste. Neste contexto, um dos exames de escolha para avaliação das manifestações secundárias é o liquor, onde o diagnóstico de meningite é uma das hipóteses diferenciais.Nas meningites agudas virais espera se que o liquor apresente:
Meningite viral → Líquor: Pleiocitose linfocítica + Glicose normal + Proteínas discretamente ↑.
Diferente da etiologia bacteriana, a meningite viral mantém níveis de glicose normais e apresenta predomínio de linfomononucleares no LCR.
A meningite viral, frequentemente chamada de meningite asséptica, é uma inflamação das meninges causada predominantemente por enterovírus. O diagnóstico baseia-se na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), que tipicamente revela uma contagem de células aumentada (geralmente < 500/mm³), com predomínio de linfócitos, embora neutrófilos possam predominar nas primeiras 24 horas de evolução. A glicorraquia permanece normal, o que é um marcador crucial para excluir etiologia bacteriana piogênica. As proteínas podem estar normais ou levemente elevadas, refletindo a quebra da barreira hematoencefálica. O manejo é geralmente de suporte, com analgesia e hidratação, exceto em casos específicos como o Herpes Simplex Virus (HSV), onde o uso de aciclovir é indicado. A análise criteriosa do LCR permite evitar o uso desnecessário de antibióticos e direcionar o tratamento adequado, sendo a punção lombar um procedimento fundamental na urgência neurológica diante de sinais de irritação meníngea.
A principal diferença reside na celularidade e nos níveis de glicose. Na meningite bacteriana, observa-se pleiocitose neutrofílica intensa e hipoglicorraquia (glicose baixa). Já na meningite viral, a pleiocitose é predominantemente linfocítica e a glicose costuma estar normal ou apenas discretamente alterada. Além disso, o aumento de proteínas é muito mais acentuado na etiologia bacteriana do que na viral, que apresenta elevações leves.
Pleiocitose linfocítica refere-se ao aumento do número de glóbulos brancos no líquido cefalorraquidiano com predomínio de linfócitos. É o achado clássico em infecções virais do sistema nervoso central, mas também pode ser visto em meningites fúngicas, tuberculosas ou em processos inflamatórios não infecciosos, como sarcoidose ou esclerose múltipla.
A análise do líquor deve ser solicitada quando há suspeita clínica de infecção do SNC (febre, rigidez de nuca, alteração do sensório) ou em casos de cefaleia súbita ('thunderclap') com neuroimagem negativa para descartar hemorragia subaracnoide, além de suspeitas de doenças inflamatórias, autoimunes ou neoplásicas com envolvimento meníngeo.
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