Meningite Viral Aguda: Diagnóstico e Análise do LCR

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um homem de 32 anos de idade, saudável, procura o pronto-socorro com queixa de febre, cefaleia e vômitos há três dias. Trabalha como feirante e refere casos de febre na família. Fez uso de um comprimido de amoxicilina. O exame físico revela: estado geral regular, desidratado (+/4+), corado, febril, deambulando sozinho, consciente, orientado e com discreta rigidez de nuca. Não há outras alterações ao exame. Diante do quadro, foi realizada punção lombar com retirada de 2 mL de líquido cefalorraquidiano (LCR) discretamente turvo. O exame laboratorial do LCR revelou: 203 células com 90% de células linfomononucleares (VR = 0-5 células/mm³), proteína = 60 mg/dL (VR = 8-32 mg/dL) e glicose = 50 mg/dL (VR = 40-70 mg/dL) (glicemia: 75 mg/dL); coloração ao Gram, Zielh-Nielsen e coloração para fungos negativas. Considerando os dados apresentados, qual o diagnóstico mais provável nesse caso?

Alternativas

  1. A) Meningite viral aguda.
  2. B) Meningite bacteriana aguda.
  3. C) Meningite por leucemia linfocítica aguda.
  4. D) Meningite bacteriana parcialmente tratada.

Pérola Clínica

LCR com pleocitose linfomononuclear + glicose normal + Gram negativo → Meningite Viral.

Resumo-Chave

A meningite viral é a causa mais comum de meningite asséptica, caracterizada por um quadro clínico autolimitado e LCR com predomínio de linfócitos e níveis de glicose preservados.

Contexto Educacional

A meningite viral, ou meningite asséptica, apresenta um curso clínico geralmente benigno, com febre, cefaleia e sinais de irritação meníngea (como rigidez de nuca), mas sem o comprometimento do nível de consciência ou sepse típicos da bacteriana. O caso clínico descreve um paciente deambulando, consciente e com LCR mostrando 203 células (90% linfomononucleares) e glicose de 50 mg/dL para uma glicemia de 75 mg/dL (relação 0,66, normal). Esses dados, somados ao Gram negativo, confirmam o diagnóstico de meningite viral. O tratamento é eminentemente sintomático com analgésicos e hidratação, exceto em casos específicos como herpesvírus, onde o Aciclovir pode ser indicado.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar o LCR da meningite viral do da bacteriana?

Na meningite viral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose leve a moderada (geralmente < 500 células/mm³) com predomínio de linfócitos ou monócitos. A glicose é normal (relação LCR/sangue > 0,6) e as proteínas estão normais ou levemente elevadas. Já na meningite bacteriana, a pleocitose é acentuada (> 1000 células/mm³) com predomínio de neutrófilos, a glicose é marcadamente baixa (hipoglicorraquia) e as proteínas estão muito elevadas. O Gram é positivo em 60-90% das bacterianas não tratadas, enquanto é sempre negativo nas virais.

O que caracteriza uma meningite bacteriana parcialmente tratada?

A meningite bacteriana parcialmente tratada ocorre quando o paciente recebe antibióticos antes da punção lombar. Isso pode negativar a cultura e o Gram, além de alterar o perfil celular para um predomínio linfocitário, assemelhando-se à viral. No entanto, a hipoglicorraquia (glicose baixa) e a elevação significativa de proteínas costumam persistir, ajudando na diferenciação. O estado clínico do paciente com meningite bacteriana, mesmo tratada, costuma ser mais grave do que na meningite viral clássica.

Quais são os principais agentes etiológicos da meningite viral?

Os Enterovírus (Echovírus e Coxsackievírus) são responsáveis pela grande maioria dos casos de meningite viral, especialmente em surtos sazonais. Outros agentes importantes incluem o vírus Herpes Simples tipo 2 (frequentemente associado a meningites recorrentes de Mollaret), o vírus da Varicela-Zoster, o HIV (na fase de soroconversão) e arbovírus. O diagnóstico específico pode ser feito através de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) no LCR, que possui alta sensibilidade e especificidade para identificar o material genético viral.

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