Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Adolescente de 15 anos apresenta cefaleia intensa, febre, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência. Exame de líquor: pleocitose linfocítica, proteínas elevadas e glicose normal. Qual é o agente mais provável?
LCR com linfócitos ↑ + glicose normal + proteínas levemente ↑ = Meningite Viral.
A meningite viral (ou asséptica) apresenta quadro clínico de irritação meníngea com padrão liquórico caracterizado por predomínio de linfomononucleares e manutenção dos níveis de glicose.
A meningite viral é a causa mais comum de inflamação das meninges. Diferente da bacteriana, a fisiopatologia envolve a replicação viral no tecido linfoide ou trato gastrointestinal, seguida de viremia e invasão do sistema nervoso central. O quadro clínico de cefaleia, febre e sinais de irritação meníngea (Kernig e Brudzinski) pode ser indistinguível da bacteriana no início, tornando a punção lombar essencial. O termo 'meningite asséptica' é frequentemente usado para descrever casos com evidência clínica de meningite, mas com culturas bacterianas negativas. A análise do LCR é o pilar do diagnóstico diferencial. A preservação da glicose no líquor é um marcador forte contra a etiologia bacteriana, pois as bactérias consomem glicose no espaço subaracnóideo. O prognóstico é geralmente excelente, sem as sequelas neurológicas graves associadas às formas bacterianas.
Na meningite viral, o líquor tipicamente apresenta pleocitose leve a moderada (geralmente < 500 células/mm³) com predomínio de linfócitos e monócitos, glicose normal e proteínas normais ou levemente aumentadas. Já na meningite bacteriana, observa-se pleocitose acentuada (> 1000 células/mm³) com predomínio de neutrófilos (polimorfonucleares), hipoglicorraquia acentuada (glicose baixa) e hiperproteinorraquia importante. É importante notar que, nas primeiras horas da meningite viral, pode haver um predomínio transitório de neutrófilos.
Os Enterovírus (como Coxsackievirus e Echovirus) são responsáveis pela grande maioria dos casos de meningite viral, especialmente em crianças e adolescentes. Outros agentes incluem o vírus do Herpes Simples (especialmente HSV-2 em adultos), o vírus da Caxumba (em populações não vacinadas), o vírus Varicela-Zoster e arbovírus. O diagnóstico específico pode ser feito por PCR no líquor, embora nem sempre seja necessário para o manejo clínico.
Na maioria dos casos, o tratamento é de suporte, incluindo analgesia, hidratação e controle da febre, pois a doença costuma ser autolimitada com bom prognóstico. A exceção principal é a meningite causada por Herpes Simples ou Varicela-Zoster, onde o uso de Aciclovir intravenoso pode ser indicado. Se houver dúvida diagnóstica inicial com meningite bacteriana, inicia-se o antibiótico e suspende-se após a cultura negativa ou confirmação do padrão viral.
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