Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Uma criança de seis anos de idade deu entrada no pronto socorro infantil, com quadro de cefaleia holocraniana, vômitos e febre havia 24 horas. Os dados do exame físico são os seguintes: REG; fácies de dor; afebril; presença de rigidez de nuca. Conforme exame laboratorial, LCR com 270 células/mm³, com 20% de neutrófilos, 70% de linfócitos, proteína = 55 mg/dL e glicose = 60 mg/dL.No caso clínico acima, a conduta recomendada consiste em
LCR com predomínio linfocitário e glicose normal → sugere meningite viral; conduta é sintomática.
A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é crucial para diferenciar os tipos de meningite. Predomínio de linfócitos, glicose normal e proteína discretamente elevada são achados clássicos de meningite viral, que geralmente tem curso benigno e requer apenas tratamento sintomático.
A meningite é uma inflamação das meninges que pode ser causada por diversos agentes, sendo os virais e bacterianos os mais comuns. Em crianças, a suspeita de meningite é uma emergência médica devido ao potencial de sequelas graves, especialmente na forma bacteriana. O diagnóstico diferencial é crucial para guiar a conduta terapêutica. O líquor cefalorraquidiano (LCR) é a ferramenta diagnóstica mais importante. Na meningite viral (também conhecida como meningite asséptica), os achados típicos incluem pleocitose (aumento de células, geralmente entre 100-1000 células/mm³) com predomínio de linfócitos (mais de 50%), glicose normal (geralmente > 40 mg/dL ou > 2/3 da glicemia), e proteínas discretamente elevadas (geralmente < 100 mg/dL). Em contraste, a meningite bacteriana apresenta predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia e proteínas muito elevadas. No caso apresentado, o predomínio linfocitário (70%) e a glicose normal (60 mg/dL) são fortes indicativos de etiologia viral. A conduta para meningite viral é, na maioria dos casos, de suporte e sintomática, pois a doença é autolimitada. A internação é recomendada para observação, controle de sintomas e para garantir que o diagnóstico de meningite bacteriana foi adequadamente excluído. Não há necessidade de antibioticoterapia ou antivirais específicos, a menos que haja suspeita de etiologias específicas como herpes-vírus (que justificaria aciclovir). Residentes devem estar aptos a interpretar o LCR corretamente para evitar tratamentos desnecessários e garantir o manejo adequado.
Na meningite viral, o LCR classicamente apresenta pleocitose (aumento do número de células) com predomínio linfocitário, glicose normal (em relação à glicemia) e proteínas discretamente elevadas ou normais. A contagem de células geralmente é menor que na bacteriana.
A meningite bacteriana tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, glicose muito baixa (hipoglicorraquia) e proteínas marcadamente elevadas. A meningite viral, por outro lado, tem predomínio linfocitário, glicose normal e proteínas discretamente elevadas.
A conduta para meningite viral é primariamente sintomática, incluindo analgésicos para cefaleia, antieméticos para vômitos e antipiréticos para febre. A internação pode ser necessária para observação e suporte, mas não há necessidade de antibióticos ou antivirais específicos na maioria dos casos.
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