Meningite Viral em Crianças: Diagnóstico e Conduta no LCR

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma criança de seis anos de idade deu entrada no pronto socorro infantil, com quadro de cefaleia holocraniana, vômitos e febre havia 24 horas. Os dados do exame físico são os seguintes: REG; fácies de dor; afebril; presença de rigidez de nuca. Conforme exame laboratorial, LCR com 270 células/mm³, com 20% de neutrófilos, 70% de linfócitos, proteína = 55 mg/dL e glicose = 60 mg/dL.No caso clínico acima, a conduta recomendada consiste em

Alternativas

  1. A) internação com administração de apenas medicamentos sintomáticos.
  2. B) internação com administração endovenosa de aciclovir por quatorze dias.
  3. C) internação com administração endovenosa de penicilina cristalina por quatorze dias.
  4. D) internação com administração endovenosa de ceftriaxona por dez dias.
  5. E) internação com administração endovenosa de ceftriaxona e de vancomicina por dez dias.

Pérola Clínica

LCR com predomínio linfocitário e glicose normal → sugere meningite viral; conduta é sintomática.

Resumo-Chave

A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é crucial para diferenciar os tipos de meningite. Predomínio de linfócitos, glicose normal e proteína discretamente elevada são achados clássicos de meningite viral, que geralmente tem curso benigno e requer apenas tratamento sintomático.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das meninges que pode ser causada por diversos agentes, sendo os virais e bacterianos os mais comuns. Em crianças, a suspeita de meningite é uma emergência médica devido ao potencial de sequelas graves, especialmente na forma bacteriana. O diagnóstico diferencial é crucial para guiar a conduta terapêutica. O líquor cefalorraquidiano (LCR) é a ferramenta diagnóstica mais importante. Na meningite viral (também conhecida como meningite asséptica), os achados típicos incluem pleocitose (aumento de células, geralmente entre 100-1000 células/mm³) com predomínio de linfócitos (mais de 50%), glicose normal (geralmente > 40 mg/dL ou > 2/3 da glicemia), e proteínas discretamente elevadas (geralmente < 100 mg/dL). Em contraste, a meningite bacteriana apresenta predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia e proteínas muito elevadas. No caso apresentado, o predomínio linfocitário (70%) e a glicose normal (60 mg/dL) são fortes indicativos de etiologia viral. A conduta para meningite viral é, na maioria dos casos, de suporte e sintomática, pois a doença é autolimitada. A internação é recomendada para observação, controle de sintomas e para garantir que o diagnóstico de meningite bacteriana foi adequadamente excluído. Não há necessidade de antibioticoterapia ou antivirais específicos, a menos que haja suspeita de etiologias específicas como herpes-vírus (que justificaria aciclovir). Residentes devem estar aptos a interpretar o LCR corretamente para evitar tratamentos desnecessários e garantir o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais os achados típicos do LCR na meningite viral?

Na meningite viral, o LCR classicamente apresenta pleocitose (aumento do número de células) com predomínio linfocitário, glicose normal (em relação à glicemia) e proteínas discretamente elevadas ou normais. A contagem de células geralmente é menor que na bacteriana.

Como diferenciar meningite viral de bacteriana pelo LCR?

A meningite bacteriana tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, glicose muito baixa (hipoglicorraquia) e proteínas marcadamente elevadas. A meningite viral, por outro lado, tem predomínio linfocitário, glicose normal e proteínas discretamente elevadas.

Qual a conduta inicial para meningite viral em crianças?

A conduta para meningite viral é primariamente sintomática, incluindo analgésicos para cefaleia, antieméticos para vômitos e antipiréticos para febre. A internação pode ser necessária para observação e suporte, mas não há necessidade de antibióticos ou antivirais específicos na maioria dos casos.

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