SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026
Paciente, sexo feminino, 10 anos de idade, sem comorbidades, é levada ao pronto atendimento com histórico de febre há 1 dia, associado a cefaleia e vômitos. Nega outros sintomas nos últimos dias. Nega uso de medicamentos ou viagens. Carteira de vacinação em dia. Após anamnese e exame físico, foi aventada a hipótese de meningite e realizada punção lombar, além de de hemograma, glicemia e hemocultura. Foi levada para unidade de internação e prescritos hidratação, analgésico/antitérmico, antiemético e antibioticoterapia (cefalosporina de terceira geração). São resultados dos exames: • Glicose: 90 mg/dL; / hemograma com leucocitose (17.000) e predomínio de linfócitos e plaquetas dentro da normalidade. Líquido cefalorraquidiano de aspecto claro; leucócitos: 150 mm³ (85% de linfócitos; proteína: 60 mg/dL; glicose: 65mg/dL; bacterioscopia negativa.) Sobre o diagnóstico e a conduta a ser adotada, assinale a alternativa correta:
Líquor claro + pleocitose linfocitária + glicose normal → Meningite viral (suspender ATB).
A meningite viral apresenta pleocitose leve/moderada com predomínio linfomonocitário e glicorraquia normal, permitindo a suspensão da antibioticoterapia empírica após estabilização clínica.
A meningite viral é a causa mais frequente de inflamação das meninges na infância, sendo os enterovírus os principais agentes etiológicos. O quadro clínico inicial pode ser indistinguível da meningite bacteriana, o que justifica o início imediato de antibióticos de amplo espectro, como a ceftriaxona, até que os resultados laboratoriais estejam disponíveis. A análise do líquor é o pilar do diagnóstico diferencial. Enquanto a meningite bacteriana cursa com hipoglicorraquia acentuada e pleocitose neutrofílica intensa, a viral mantém os níveis de glicose preservados. Uma vez confirmado o padrão viral e com o paciente apresentando remissão dos sintomas sistêmicos, o tratamento passa a ser exclusivamente de suporte, visando analgesia e hidratação.
O líquido cefalorraquidiano (LCR) na meningite viral geralmente apresenta aspecto límpido ou claro, pleocitose moderada (geralmente entre 10 e 500 células/mm³) com predomínio de linfócitos e monócitos, hiperproteinorraquia leve (geralmente < 100 mg/dL) e glicorraquia normal (relação glicose LCR/sangue > 0,6).
Sim, em fases muito precoces da meningite viral (primeiras 24 a 48 horas), pode ocorrer um predomínio transitório de polimorfonucleares (neutrófilos). No entanto, a glicorraquia permanece normal, e uma nova punção após 12-24 horas costuma mostrar a 'viragem' para o padrão linfocitário clássico.
A suspensão da antibioticoterapia empírica é segura quando o perfil do LCR é fortemente sugestivo de etiologia viral (especialmente glicose normal e ausência de germes na bacterioscopia), o paciente apresenta melhora clínica ou estabilidade, e as culturas (sangue e líquor) permanecem negativas após 24-48 horas.
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