UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021
Adolescente, sexo masculino, 13 anos, é levado à emergência por cefaleia intensa, vômito sem jato há dois dias e febre (38,5ºC) que não cede com antitérmicos. Exame físico: desidratado, febril, sinais de irritação meningea, escala de Glasgow de 15. Punção lombar: pleocitose, com 570 células/mm3, 20.000 hemácias/mm3, com predomínio de linfomononucleares; proteína: 45mg/dL; glicorraquia: 66 mg/ dL (glicemia: 90 mg/dL). Esse quadro clínico sugere:
Meningite viral → pleocitose linfomononuclear + glicorraquia normal + proteinorraquia leve.
A meningite viral é caracterizada por pleocitose com predomínio de linfomononucleares no LCR, glicorraquia geralmente normal (relação LCR/glicemia > 0,6) e proteinorraquia levemente elevada, diferenciando-a da meningite bacteriana e hemorragia subaracnoide.
A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, sendo uma emergência médica. Em adolescentes, a apresentação clínica pode incluir cefaleia intensa, febre, vômitos e sinais de irritação meníngea, como rigidez de nuca. O diagnóstico diferencial entre as etiologias viral e bacteriana é crucial para o manejo adequado e prognóstico do paciente. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar é o pilar para o diagnóstico etiológico da meningite. Na meningite viral, os achados típicos incluem pleocitose (aumento do número de células) com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal (ou seja, a concentração de glicose no LCR é aproximadamente 60-80% da glicemia periférica) e proteinorraquia levemente elevada. A presença de hemácias no LCR, como 20.000 hemácias/mm³ neste caso, deve ser interpretada com cautela, pois pode ser decorrente de um trauma de punção, mas também pode ocorrer em algumas infecções virais ou hemorragia subaracnoide, embora esta última geralmente apresente xantocromia e um número muito maior de hemácias. O quadro clínico e os achados do LCR descritos (pleocitose linfomononuclear, glicorraquia normal e proteinorraquia leve) são altamente sugestivos de meningite viral. Embora a meningite bacteriana seja mais grave, seus achados no LCR seriam tipicamente pleocitose neutrofílica, glicorraquia muito baixa e proteinorraquia acentuadamente elevada. O trauma de punção explicaria as hemácias, mas não a pleocitose e os sintomas. A hemorragia subaracnoide, embora possa ter hemácias, não explicaria a pleocitose linfomononuclear e a febre de forma primária. O tratamento da meningite viral é geralmente de suporte, enquanto a bacteriana exige antibioticoterapia imediata.
Na meningite viral, o LCR geralmente mostra pleocitose com predomínio de linfomononucleares (50-1000 células/mm³), glicorraquia normal (relação LCR/glicemia > 0,6) e proteinorraquia levemente elevada (< 100 mg/dL). A presença de hemácias pode indicar trauma de punção ou outras condições.
A meningite bacteriana classicamente apresenta pleocitose neutrofílica (>1000 células/mm³), glicorraquia baixa (<40 mg/dL ou relação LCR/glicemia <0,4) e proteinorraquia muito elevada (>100 mg/dL), diferente do padrão viral. A coloração de Gram e cultura são essenciais para a bacteriana.
A relação glicorraquia/glicemia é crucial. Valores acima de 0,6 (ou glicorraquia > 40 mg/dL) sugerem meningite viral, pois vírus não consomem glicose. Valores abaixo de 0,4 indicam consumo de glicose por bactérias ou células inflamatórias, sendo mais comum na meningite bacteriana ou fúngica.
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