Meningite Viral: Diagnóstico e Análise do Líquor

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024

Enunciado

Adolescente de 12 anos é levada à emergência por cefaleia intensa, vômitos em jato há um dia e febre (38,5°C), sem melhora mesmo com o uso de antitérmico. Ao exame físico apresenta-se febril, com rigidez de nuca, sonolência, mucosas secas e hipocoradas. Resultado do líquor por Punção lombar: pleocitose, com 478 células/mm3, 25.000 hemácias/mm3, com predomínio de linfomononucleares; proteína: 49mg/dL; glicorraquia: 62 mg dL (glicemia: 88 mg/dL no momento da punção). Esse quadro clínico sugere:

Alternativas

  1. A) meningite viral.
  2. B) meningite bacteriana.
  3. C) trauma de punção.
  4. D) aneurisma cerebral roto

Pérola Clínica

Meningite viral → pleocitose linfomononuclear, glicorraquia normal, proteinorraquia levemente elevada.

Resumo-Chave

O perfil do líquor com pleocitose às custas de linfomononucleares, glicorraquia normal (relação glicorraquia/glicemia > 0,6) e proteinorraquia discretamente elevada é altamente sugestivo de meningite viral. A presença de hemácias pode ser devido a uma punção traumática, comum e não exclui o diagnóstico.

Contexto Educacional

A meningite viral é uma inflamação das meninges causada por vírus, sendo a causa mais comum de meningite asséptica. É mais prevalente em crianças e adolescentes, com enterovírus sendo os agentes etiológicos mais frequentes. Embora geralmente autolimitada e com prognóstico favorável, o diagnóstico diferencial com meningite bacteriana é crucial devido à gravidade desta última. O diagnóstico da meningite viral baseia-se na apresentação clínica (febre, cefaleia, rigidez de nuca) e, principalmente, na análise do líquor. O perfil clássico inclui pleocitose com predomínio linfomononuclear, glicorraquia normal e proteinorraquia normal ou discretamente elevada. A relação glicose líquor/sérica é um marcador importante, sendo > 0,6 na meningite viral. O tratamento da meningite viral é geralmente de suporte, com manejo da dor e da febre. A diferenciação rápida e precisa da meningite bacteriana é vital para evitar o uso desnecessário de antibióticos e garantir o tratamento adequado em casos graves. A presença de hemácias no líquor por punção traumática é um achado comum que não deve confundir a interpretação dos demais parâmetros.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do líquor na meningite viral?

Na meningite viral, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal (relação glicose líquor/sérica > 0,6) e proteinorraquia normal ou levemente elevada (geralmente < 100 mg/dL).

Como diferenciar meningite viral de bacteriana pelo líquor?

A meningite bacteriana geralmente cursa com pleocitose neutrofílica acentuada, glicorraquia muito baixa e proteinorraquia significativamente elevada. A viral, por outro lado, tem pleocitose linfomononuclear e glicorraquia normal.

A presença de hemácias no líquor exclui meningite viral?

Não, a presença de hemácias, especialmente em grande quantidade, pode indicar uma punção lombar traumática. Nesses casos, a interpretação dos outros parâmetros do líquor deve ser feita com cautela, mas não exclui a meningite viral.

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