Meningite Viral em Crianças: Diagnóstico e Análise do Líquor

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Menina de 5 anos, previamente hígida, dá entrada no pronto-socorro com 2 dias de febre, cefaleia e vômitos. Ao exame físico, está em regular estado geral, febril, com rigidez de nuca. O líquor colhido revelou: 180 leucócitos (30% neutrófilos, 60% linfócitos, 10% monócitos), 20 hemácias, proteína = 60 mg%, glicose = 70 mg%.A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) acidente de punção.
  2. B) encefalite herpética.
  3. C) meningite bacteriana.
  4. D) meningite viral.
  5. E) meningotuberculose.

Pérola Clínica

Meningite viral: líquor com pleocitose linfocitária, glicose normal, proteína levemente ↑.

Resumo-Chave

O perfil do líquor na meningite viral tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfócitos (ou mononucleares), glicose normal (em relação à glicemia sérica) e proteínas normais ou levemente elevadas. A presença de rigidez de nuca e sintomas inespecíficos em criança hígida reforça a suspeita.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, sendo uma condição grave que exige diagnóstico e tratamento rápidos. Em crianças, a apresentação clínica pode ser inespecífica, mas a presença de febre, cefaleia, vômitos e sinais de irritação meníngea, como rigidez de nuca, deve levantar a suspeita. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é o pilar para o diagnóstico diferencial entre as etiologias bacteriana e viral, que possuem prognósticos e manejos distintos. No caso apresentado, a menina de 5 anos com febre, cefaleia, vômitos e rigidez de nuca, associada a um LCR com 180 leucócitos (predomínio de linfócitos - 60%), glicose normal (70 mg%) e proteína levemente elevada (60 mg%), aponta fortemente para meningite viral. A pleocitose linfocitária, a glicose normal e a proteína moderadamente elevada são características clássicas da meningite asséptica, sendo a viral a causa mais comum. Em contraste, a meningite bacteriana apresentaria predomínio de neutrófilos, glicose muito baixa e proteínas significativamente mais elevadas. O manejo da meningite viral é geralmente de suporte, com foco no alívio dos sintomas, pois a maioria dos casos é autolimitada. No entanto, é crucial descartar a etiologia bacteriana, que requer antibioticoterapia empírica imediata. A diferenciação precisa pelo LCR permite evitar o uso desnecessário de antibióticos, reduzindo a resistência antimicrobiana e os efeitos adversos. A compreensão dos padrões do LCR é, portanto, uma habilidade essencial para residentes e profissionais de emergência.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do líquor na meningite viral?

Na meningite viral, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfócitos (geralmente >50%), glicose normal (acima de 40 mg/dL ou >50% da glicemia sérica) e proteínas normais ou levemente elevadas (<100 mg/dL).

Como diferenciar meningite viral de bacteriana pelo líquor?

A meningite bacteriana geralmente mostra pleocitose com predomínio de neutrófilos (>80%), glicose muito baixa (<40 mg/dL) e proteínas muito elevadas (>100 mg/dL), além de coloração de Gram positiva em muitos casos.

Quais são os principais agentes etiológicos da meningite viral em crianças?

Os enterovírus são os agentes mais comuns de meningite viral em crianças, especialmente durante os meses de verão e outono. Outros vírus incluem arbovírus, herpesvírus e vírus da caxumba.

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