Meningite Viral: Diagnóstico Diferencial no LCR Pediátrico

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Francisco 10 anos, é levado à emergência por cefaleia intensa, vômitos em jato há dois dias e febre (38,5°C) que não cede com antitérmicos. Exame físico: desidratado, febril, sinais de irritação meníngea, escala de Glasgow de 15. Punção lombar: 100 células/mm3 com predomínio de linfomononucleares , 20.000 hemácias/mm3; proteína: 45mg/dL; glicorraquia: 66mg/dL (glicemia: 90mg/dL). Esse quadro clínico sugere:

Alternativas

  1. A) Meningite viral.
  2. B) Acidente de punção.
  3. C) Meningite bacteriana.
  4. D) Hemorragia subaracnoide.

Pérola Clínica

LCR: linfomononucleares + glicorraquia normal + proteína normal/levemente ↑ + hemácias (acidente de punção) → Meningite viral.

Resumo-Chave

O perfil do LCR é crucial para diferenciar meningites. Predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal e proteínas normais/levemente elevadas, mesmo com hemácias por acidente de punção, são sugestivos de meningite viral. A ausência de febre alta e rápida deterioração também apoia o diagnóstico.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das meninges que pode ser causada por diversos agentes, sendo as etiologias viral e bacteriana as mais comuns. O diagnóstico diferencial é crucial, pois o tratamento e o prognóstico variam significativamente. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar é o pilar para essa distinção, um conhecimento fundamental para residentes. No caso apresentado, a presença de febre, cefaleia, vômitos e sinais de irritação meníngea são compatíveis com meningite. No entanto, o perfil do LCR com 100 células/mm³ com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal (66mg/dL com glicemia de 90mg/dL, relação >0,5) e proteínas normais (45mg/dL) é altamente sugestivo de meningite viral. As 20.000 hemácias/mm³ em um contexto de LCR viral e ausência de xantocromia (não mencionada, mas implícita pela alternativa) indicam um acidente de punção. Em contraste, a meningite bacteriana tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, glicorraquia muito baixa e proteínas muito elevadas. A hemorragia subaracnoide teria hemácias em todos os tubos e xantocromia. Portanto, a interpretação cuidadosa do LCR, considerando todos os parâmetros e o contexto clínico, é essencial para um diagnóstico correto e para evitar tratamentos desnecessários ou inadequados.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos do LCR em um caso de meningite viral?

Na meningite viral, o LCR geralmente apresenta pleocitose com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal ou discretamente reduzida, e proteínas normais ou levemente elevadas.

Como diferenciar um acidente de punção de uma hemorragia subaracnoide no LCR?

No acidente de punção, as hemácias tendem a diminuir nos tubos sequenciais e o sobrenadante é claro. Na hemorragia subaracnoide, as hemácias são uniformemente distribuídas e o sobrenadante é xantocrômico (amarelado) após centrifugação.

Quais os principais diferenciais de meningite viral em crianças?

Os principais diferenciais incluem meningite bacteriana (pleocitose neutrofílica, glicorraquia baixa, proteínas altas), meningite tuberculosa (pleocitose linfomononuclear, glicorraquia muito baixa, proteínas muito altas) e outras causas de irritação meníngea.

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