HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Paciente de 26 anos apresenta-se ao pronto atendimento com quadro de cefaleia há 3 dias, náuseas e febre, sem outros sintomas associados. Nega comorbidades ou medicações de uso habitual. Não apresenta alterações nos sinais vitais, além da elevação da temperatura. Não apresenta rigidez de nuca, Kernig e Brudzinski são negativos. Relata piora da cefaleia após mexer a cabeça horizontalmente por alguns segundos. Hemograma sem alterações. Realizado LCR com o seguinte resultado: celularidade: 153 leucócitos/microL com predomínio de linfócitos, 0 hemácia. Não há alteração em lactato, glicose ou proteína. Considerando as hipóteses diagnósticas mais prováveis, qual a conduta correta para o caso?
Pleocitose linfocitária + Glicose normal → Sugere Meningite Viral; manter ATB até culturas negativas.
Em casos de suspeita de meningite, a conduta segura exige início imediato de antibioticoterapia empírica, que só deve ser suspensa após resultados de culturas ou PCR descartarem patógenos bacterianos.
A abordagem inicial da síndrome meníngea no pronto atendimento prioriza a exclusão de causas bacterianas devido à sua alta morbimortalidade. O líquor com pleocitose linfocitária, glicorraquia normal e lactato baixo é o perfil clássico das meningites assépticas, majoritariamente virais. No entanto, a sensibilidade do exame físico e da citometria inicial não é absoluta. A conduta de manter antibioticoterapia por 48 horas enquanto se aguarda o crescimento em meios de cultura é uma medida de segurança padrão. O uso de corticoides (dexametasona) deve ser iniciado antes ou junto com a primeira dose de antibiótico se houver suspeita de pneumococo, mas pode ser descontinuado se a etiologia viral for confirmada. A estabilidade hemodinâmica e a ausência de sinais de alarme neurológico permitem o seguimento, mas não dispensam a vigilância microbiológica.
O Jolt Accentuation é um sinal clínico de irritação meníngea pesquisado solicitando ao paciente que gire a cabeça horizontalmente de forma rápida (2-3 vezes por segundo). A piora da cefaleia com essa manobra possui alta sensibilidade para meningite, sendo útil especialmente quando sinais clássicos como rigidez de nuca, Kernig e Brudzinski estão ausentes na fase inicial ou em quadros virais.
Embora o predomínio de linfócitos e glicose normal sugiram meningite viral, algumas meningites bacterianas (como por Listeria ou fases muito iniciais de outras bactérias) podem apresentar perfil semelhante. A gravidade de uma meningite bacteriana não tratada justifica a manutenção da terapia empírica até que a cultura (padrão-ouro) ou testes moleculares (PCR) confirmem a ausência de crescimento bacteriano, geralmente após 48-72 horas.
Os Enterovírus (Coxsackievírus e Echovírus) são os agentes mais comuns, respondendo pela maioria dos casos sazonais. Outros agentes importantes incluem o Herpes Simplex Vírus tipo 2 (frequentemente associado a meningites recorrentes de Mollaret), Varicela-Zoster e o HIV na fase de soroconversão. O diagnóstico definitivo é realizado preferencialmente via PCR no líquor.
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